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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nas mãos de dios


Aos 38 minutos do segundo tempo, Maradona, com o empate a seu favor, tira o centro avante Higuai e coloca o volante Bolatti. Jogo seria no contra-ataque. Um gol uruguaio colocaria os hermanos na temida repescagem. O lendário Centenário fervia.

Aos 39 minutos, falta na lateral da área. Messi na bola. Ele rola para Verón, la bruxita, o meia bate forte em direção ao gol. Fechado por vários corpos, a redonda faz o típico pebolim, bate, volta, bate e sobra, para ele, Bolatti, que sem pensar, com pouco mais de um minuto de partida, bate, sem ver, e vence Muslera. Argentina 1 a 0. Maradona vai ao delírio. Não repete o peixinho dado dias antes na vitória suada contra o Peru, mas desabafa aos periodistas: "Que lo sigan mamando!"

O Uruguai ainda tentou o empate que não mudaria em nada sua vida, mas era noite de Argentina. A classificação suada, de um grupo combalido e criticado, de um técnico inexperiente em sua nova tarefa, mas que manja da redonda como ninguém. Um dios para os hermanos!

Histórico e expectativas

Não preciso detalhar a tradição argentina. O segundo melhor futebol do planeta vai em busca do tri mundial. Se não tem o entrosamento de anos anteriores, tem o melhor jogador do planeta, Messi, e o fato de ter se classificado no sufoco. E futebol é assim, quanto mais dificil, melhor. É só lembrar de Felipão e seu Brasil campeão em 2002.

É fato que o time de Maradona ainda peca na harmonia, mas não lhe falta a garra peculiar. Tem jogadores em grande fase, como o já citado Messi, Higuain, Tevez, Di Maria. Sua defesa não é lá grandes coisas, mas se jogar na seriedade é capaz que não comprometa.

Seus craques e jogo chave

Lionel Messi é o melhor jogador do mundo, a Fifa diz, a imprensa diz, sua mãe diz, nossos olhos comprovam. Mas não joga a mesma coisa na seleção. No entanto, sempre é chance de se encontrar. Tevez, Higuain, Diego Milito, Di Maria e até Palermo completam um ataque de peso.

Verón e Mascherano fazem um meio campo de respeito e experiente. Aliás, Maradona já deu a escalação do primeiro jogo, mais de mês antes do início da Copa. Vai com quatro zagueiros, estilo europeu, e um meio campo composto às vezes por três, às vezes por cinco, assim como o ataque. Um 4-3-3 que me parece seguro.

Seu jogo chave é o de estreia, contra os nigerianos. Só aí sentiremos a Argentina. E uma vitória lhes darão a confiança que precisam. Sem contar que a Nigéria me parece o adversário mais complicado, uma vez que praticamente joga em casa.

Minha aposta

A Argentina deve ir longe. No mínimo nas semi-finais. Será líder do grupo, e não me surpreendo se for com aproveitamento de 100%. O time deve atingir seu ápice durante a Copa, e terá o que é primordial no Mundial, a boa fase! E tem histórias do futebol, que mesmo repetidas, não perdem sua beleza e mística. A superação deve ser bonita, e um título mundial seria a coroação de Maradona, polêmico e gênio como os craques e ídolos devem ser.

Confira os jogos dos Hermanos na primeira fase:

Data e hora
12/06/2010 11:00 Argentina x Nigéria

17/06/2010 08:30 Argentina x Coréia do Sul

22/06/2010 15:30 Grécia x Argentina

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por que a Argentina vive o futebol e o Brasil não?

Se você é nacionalista, nutrindo ódio dos argentinos, não leia este texto, pois provavelmente não irá gostar do seu conteúdo. Mas se você souber entender que os “hermanos” são melhores que nós em certos aspectos e nós somos melhores que eles em certos pontos, veja esse vídeo introdutório e se arrepie.



A nação argentina sabe viver o futebol, sabe amar esse esporte acima de tudo, sabe torcer com um frenesi enlouquecedor que move 11 seres humanos dentro de um gramado, sabe empurrar uma seleção ou agremiação de uma maneira assustadora para os adversários.

Este vídeo publicitário sobre a Copa do Mundo e a mítica da Argentina relata o sentimento de nossos vizinhos para o evento mais importante do país. E nós? O que fazemos? Fazemos uma propaganda de apoio insignificante de uma tartaruga ou caranguejo brincando com uma latinha de cerveja.

Isso não emociona ninguém e não trás nenhum sentimento, somente vende uma ideologia “engraçada” imposta por uma marca. A empresa midiática criadora do comercial argentino deve ter, com toda certeza, seus interesses ideológicos, mas passando um anseio que mexe com o subconsciente das pessoas, de tal maneira que o consciente logo percebe toda a mensagem.



A mídia brasileira não sabe valorizar e explorar o melhor das massas, apenas se limitando a vender seus produtos de forma esdrúxula, além de exagerar em uma rivalidade que ultimamente se limita as datas dos jogos entre os dois países, tanto no âmbito de clubes ou seleções, pois muitos jogadores atuam nos mesmos times no velho continente e são amigos.

O último episódio ridículo aconteceu na época da segunda semifinal da Champions League, entre Barcelona e Internazionale de Milão, onde a RGT extrapolou na rivalidade, tanto nos telejornais, web e na transmissão do jogo, mostrando um duelo entre Lúcio (Brasil) e Messi (Argentina), sendo que isso pouco importava no enredo desse grande clássico, além do narrador enfatizar o “estranhismo” de brasileiros e argentinos jogando lado-a-lado.

Um TCC sobre como a mídia influência essa realidade foi realizado com entrevista à jornalista dos dois lados da moeda. Veja um techo:



No meio de toda essa bagunça gerada pela mídia, a torcida brasileira vem tentando copiar a “inchada hermana”, porém nunca conseguirá. O “Es cultural” que um ator comenta sobre os “inchas” retrata o modo como nossos vizinho são únicos neste quesito, mesmo com toda a devoção dos ingleses, inventores do futebol.


A “inchada” vai para “El Mundial” incentivada com os dizeres: “Es increible. Tiran um millón de papelitos, cada vez que sale el equipo. Es cultural” e “Allá, no importa si van ganando o perdiendo, los tipo cantan igual”.

E nós com meros comerciais que ostentam a marca e não a nação.