sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma tarde épica na Rua Javari

Dizem que momentos épicos acontecem em lugares memoráveis, onde privilegiados entram para a história por presenciarem estas ocasiões e relatarem às futuras gerações os fatos ocorridos, sem perder os melhores detalhes.

As pessoas que estavam presentes nunca esquecerão o dia, tenho certeza disto, que se orgulharam de ser palmeirenses, mesmo sendo o Palmeiras B, na A3 do Paulistão, diante do Juventus, em uma Rua Javari, por uma virada histórica, aos 44 do segundo tempo, por meio do “goleiro”, que de nada era goleiro, Diogo e seu chute de 100m de distância da meta de Luiz Gustavo, arqueiro juventino, explodindo de alegria cerca de 100 palestrinos naquela tarde.



A angústia sempre foi o clima do jogo, desde seu início com o gol do Juventus, além de uma escancarada ajuda da arbitragem para o time da Mooca, por meio de saída de bola do goleiro, pênalti escandaloso, provocando toda ira da torcida no alambrado, muito próximo ao gramado, além da diretoria que fazia juras ao bandeirinha.

No intervalo aconteceu de tudo, desde a diretoria querendo pegar o juiz, passando pela janela quebrada do vestiário do Palmeiras B, até a insatisfação da garotada com o resultado.

No tempo que a bola não rola você percebe a real essência do futebol, estando em lugares aonde os holofotes não chegam e pais, amigos, empresários, olheiros, ex-jogadores que não deram certo ao sair das categorias de base ou profissional se misturam aos torcedores comuns, além das músicas e escalação numérica do Juventus em italiano: “uno, due, tre...”. Um futebol atemporal.....



Outra curiosidade é ver treinador de Série A, como o vice-campeão Sérgio Soares, pelo Santo André, torcedor do Juventus e indo observar jogadores de um pequeno terraço ao lado do placar, nada eletrônico, mudando manualmente com CA Juventus x Visitante. Ao passar pela torcida palestrina foi recebidos com aplausos e elogios pela campanha do seu time, além de ouvir “meteram a mão em vocês na final!”, “deixa o Carlinhos com a gente”. Sérgio ria e fazia gestos corporais do estilo “fazer o que?”.

Já o Resultado de toda a raiva da diretoria do Palmeiras B foi um diretor passando mal e sendo sorrido pelos médicos. Espero que ele esteja bem, pois demonstrou ser profissional e um grande torcedor.

As emoções continuariam muito fortes na segunda etapa, mesmo para os corações enfraquecidos, com dois gols do “ainda atacante” Diogo, de cabeça e uma bomba no ângulo, após tumulto na grande área. Este era o ingrediente na pizza, ou macarrão, para o jogo pegar fogo! Somente não pegou literalmente devido a forte garoa, tipicamente paulistana, na Rua Javari.



Mas a partida caminhava para um tom dramático, de decisão, pois o Juventus precisava vencer para continuar com o sonho da A2. Para o Palmeiras B, o empate era suficiente. O clima de tensão estava estampado na cara dos 719 espectadores, exceto na organizada do time da Mooca. Seus adeptos merecem todo o respeito por cantarem e batucarem os 90 minutos. Sim, os 90 minutos!

Quando o atacante juventino, de difícil identificação, driblou Borges e chutou para o alto com o gol vazio, três senhoras, sentadas em cadeiras de praia, com sombrinhas, em cima da laje atrás das arquibancadas da meta, quase caírem de desespero. Isso sem contar que a bola geralmente era chutada na “casa do vizinho”. Um futebol, mais uma vez, atemporal!

Porém, contudo, todavia, por todo esse enredo, o inexplicável e inesperado aconteceu! As crianças e os grandes palestrinos nunca imaginariam que a expulsão do goleiro Borges, após confusão com o atacante Ricardo do Juventus (ambos saíram “na mão” com chutes, empurrões e agarrões, segundo a súmula do arbitro Thiago Duarte Peixoto), seria um “mal que veio para o bem”.

Com o Palmeiras B tendo realizado as três substituições, o artilheiro Diogo foi para a meta e um escanteio seria cobrado. Muitos nas arquibancadas estavam preocupados, porque até o goleiro juventino Luiz Gustavo foi para área. O corner é cobrado e Diogo agarra a bola sem deixá-la cair no chão. O então “goleiro” palmeirense chuta rápido e com força para o ataque......



......Estava por vir o fato mais incrível na vida dos, aproximadamente, 100 palmeirenses naquela tarde.....



.....a bola encobriu Luiz Gustavo, voltando desesperado para sua meta. A torcida angustiada, sem saber para onde iria à pelota. A torcida que permaneceu paralisada, com o olhar fixado na bola até ela entrar no gol. Muitos comemoravam. Muitos ficaram pensando por 1 segundo: “valeu?”, para depois comemorarem o gol de 100m do “goleiro” Diogo.

Um frenesi tomou conta dos 100 privilegiados. A emoção mais alucinante de suas vidas, pois todos estavam correndo, gritando, pulando, subindo no alambrado, não acreditando no que estava acontecendo. O tempo parou naquele instante! Nada mais importava, além daquele gol.

Em um certo momento, apenas ouvia minha voz, gritando, correndo pela arquibancada e subindo no alambrado. O resto parecia silencioso, como um filme mudo, onde todos comemoravam sem vozes ou barulho e eu não conseguia mais enxergar o rosto das pessoas próximas, somente enxergava todos celebrando. O silêncio só foi quebrado quando falei com o Obede ao telefone: “foi gol de goleiro!...gol de goleiro!”. Somente neste momento voltei a perceber o barulho ao meu redor.



Tenho certeza que na hora ele não me entendia muito bem. Conversávamos durante todo o jogo e o fui informando do andar do cotejo, pois este palestrino realizava uma grande cobertura do jogo via rede social Twitter, porque não pode comparecer nesta tarde épica.

O Twitter foi à ferramenta utilizada por torcedores do Juventus e Palmeiras para entender o que se passava na Rua Javari. Quase todos não entendiam os acontecimentos, mas caíram na real quando os fatos eram explicados detalhadamente: o gol de 100m!

A torcida comemorou o terceiro gol cerca de 10 minutos, devido o término da partida acontecer logo em seguida do tento. Os jogadores correram para abraçar Diogo, até o goleiro Borges saiu correndo do vestiário. A mascote Periquito invadiu o campo e quase “perdeu a roupa” nas celebrações.

O mais impressionante não foi o gol. Nem à distância e a forma com que tudo aconteceu. O mais impressionante foi à alegria das crianças com aquele gol, que ficará marcado em suas memórias para o resto de suas vidas. O gol que sempre irão contar aos filhos e aos netos: “quando eu tinha sua idade...”.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Libertadores não tem lógica

O discurso, independente do clube, é o mesmo: “Libertadores é diferente”. De fato, o torneio sul-americano tem lá suas peculiaridades. A maior delas é o fato de nem sempre o melhor vencer. Claro que o formato mata-mata, o peso do gol fora de casa e tantos outros ingredientes temperam a competição, mas não conseguem defini-la com exatidão.

O Corinthians sofreu deste veneno. Time por time, foi muito superior ao Flamengo. No primeiro tempo fez 2x0. Mas poderia ter sido muito mais. Dentinho e Ronaldo desperdiçaram chances, que no futuro se mostrariam fatais. O placar daria a classificação aos paulistas, mas soou pequeno diante do que o Timão fez em campo.

Na volta, Kleberson acertou o Flamengo. Os cariocas iniciaram a partida perdidos e os dois gols de desvantagem passaram a ser motivo de comemoração, porque foi pouco diante do produzido. Em quatro minutos, porém, o rubro-negro tomou a vantagem novamente a seu favor, com gol de Vágner Love.

A partir daí, o que se viu foi o desespero típico de mata-mata por parte do Corinthians, além da retranca e o contra-ataque flamenguistas. E emoção de sobra. Mano Menezes mexeu mal, tirou o eficiente Elias e gastou suas alterações para consertá-la. Chicão assustou em duas cobranças de falta, com Bruno salvando o Mengão. Mas a vaga tinha realmente escapado das mãos corintianas.

Injusto, disseram uns. Previsível, disseram outros. Alguns sugeriam que o Timão deveria ter entregue o último jogo da chave de grupo e fugido do confronto caseiro. O sonho da Libertadores em seu centenário acabou prematuramente, mesmo depois da melhor campanha da competição.

O Corinthians sai da competição sul-americana com seis vitórias, um empate e uma única derrota. Derrota esta por mísero 1x0. E o gol foi de pênalti. Foram 11 gols a favor e apenas 5 contra. A campanha foi ótima, o futebol nem tanto. Mas o principal disso tudo é que o mata-mata não tolera vacilos.

O primeiro jogo, com um a mais durante todo o segundo tempo no Maracanã. Faltou ousadia, vontade de matar o confronto na casa do adversário. Depois, o placar não tão avantajado após uma primeira etapa primorosa no Pacaembu. As chances perdidas poderiam ter se tornado uma goleada e a garantia de classificação. O que não aconteceu!

A Fiel sofreu, cantou, deu um show. Mas no fim, a declaração do presidente Andrés Sanches resumiu bem o que é disputar um torneio deste calibre: “Para ganhar a Libertadores, nós temos de jogar mais vezes. Temos de nos acostumar a disputar o torneio”, explicou o mandatário corintiano, já sonhando com o retorno à competição em 2011.

E não duvidem do Flamengo, que se classificou com a pior campanha da Libertadores. Os cariocas podem ganhar moral, crescer na hora certa e, por que não, ganhar a competição. Afinal, a Libertadores é diferente. Não tem lógica!



quarta-feira, 5 de maio de 2010

La main de Dieu


Repescagem européia. Prorrogação. Já eram jogados 13 minutos do primeiro tempo. A decisão de vaga na Copa em si já dava contornos dramáticos ao jogo entre França e Irlanda. Mas uma cobrança de falta do meio-campo fez mais. Fez o confronto entrar para a história.

Malouda cruzou, a bola atravessou toda a área e sairia pela linha de fundo. Sairia. Porque Thierry Henry não deixou. O experiente atacante dominou com mão e, mesmo assim, a bola iria pela linha fundo. Desta forma, o francês tocou outra vez com a mão. Com a bola controlada, Henry cruzou para o zagueiro Gallas marcar.

O gol deu a polêmica vaga aos franceses, que suaram para estar no Mundial da África do Sul. Aquele 18 de novembro entrará na história como um dos maiores erros de arbitragem já vistos. Ou, para os franceses, la main de Dieu (a mão de Deus)!

Histórico e expectativas


Campeã em 1998, a França decepcionou em 2002, caindo ainda na primeira fase, sem marcar um único gol sequer. Em 2006, no entanto, os franceses voltaram a apresentar um bom futebol e, comandados pelo maestro Zinedine Zidane, ficaram com o vice-campeonato, após serem derrotados nos pênaltis pela Itália.

Para 2010, a expectativa é menor que nas últimas Copas. A classificação difícil e a má campanha nas eliminatórias não credenciaram a equipe de Raymond Domenech como uma das favoritas. Tanto que os Bleus não foram sequer cabeça-de-chave. O peso da camisa francesa, porém, deve fazer com que a seleção chegue ao menos às oitavas-de-final.

Seus craques e jogo chave


Com um time experiente e até mesmo envelhecido, a França conta com jogadores respeitados nos maiores clubes europeus. Nomes como o próprio Thierry Henry (Barcelona) e Nicolas Anelka (Chelsea) contrastam com jovens que deixaram de ser promessas e já encantam o Velho Continente.

O atacante Benzema, do Real Madrid, é figura certa na convocação. O grande destaque dos Bleus, no entanto, é o meia Franck Ribery. O jogador conduziu o Bayern de Munique à final da Champions League e é alvo de interesse dos maiores clubes do mundo, como os espanhois Barcelona e Real Madrid, além dos ingleses Manchester United e Chelsea.

O jogo chave da França deve ser logo em sua estreia. Os europeus vão encarar o Uruguai em seu primeiro jogo. Uma vitória deve deixar os franceses mais tranquilos e com a classificação encaminhada. Um tropeço, porém, pode jogar pressão nos confrontos seguintes.

Minha aposta


Acredito que o peso da camisa deve ajudar a França, tanto quanto a boa fase do habilidoso Ribery. A primeira fase deve ser superada com certa tranqüilidade, deixando Uruguai e México disputando a segunda vaga. Creio que os franceses possam avançar, mas não devem passar pelas quartas-de-final.

Confira os jogos dos Bleus na primeira fase:

Data e hora
11/06/2010 15:30 Uruguai x França

17/06/2010 15:30 França x México

22/06/2010 11:00 África do Sul x França

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por que a Argentina vive o futebol e o Brasil não?

Se você é nacionalista, nutrindo ódio dos argentinos, não leia este texto, pois provavelmente não irá gostar do seu conteúdo. Mas se você souber entender que os “hermanos” são melhores que nós em certos aspectos e nós somos melhores que eles em certos pontos, veja esse vídeo introdutório e se arrepie.



A nação argentina sabe viver o futebol, sabe amar esse esporte acima de tudo, sabe torcer com um frenesi enlouquecedor que move 11 seres humanos dentro de um gramado, sabe empurrar uma seleção ou agremiação de uma maneira assustadora para os adversários.

Este vídeo publicitário sobre a Copa do Mundo e a mítica da Argentina relata o sentimento de nossos vizinhos para o evento mais importante do país. E nós? O que fazemos? Fazemos uma propaganda de apoio insignificante de uma tartaruga ou caranguejo brincando com uma latinha de cerveja.

Isso não emociona ninguém e não trás nenhum sentimento, somente vende uma ideologia “engraçada” imposta por uma marca. A empresa midiática criadora do comercial argentino deve ter, com toda certeza, seus interesses ideológicos, mas passando um anseio que mexe com o subconsciente das pessoas, de tal maneira que o consciente logo percebe toda a mensagem.



A mídia brasileira não sabe valorizar e explorar o melhor das massas, apenas se limitando a vender seus produtos de forma esdrúxula, além de exagerar em uma rivalidade que ultimamente se limita as datas dos jogos entre os dois países, tanto no âmbito de clubes ou seleções, pois muitos jogadores atuam nos mesmos times no velho continente e são amigos.

O último episódio ridículo aconteceu na época da segunda semifinal da Champions League, entre Barcelona e Internazionale de Milão, onde a RGT extrapolou na rivalidade, tanto nos telejornais, web e na transmissão do jogo, mostrando um duelo entre Lúcio (Brasil) e Messi (Argentina), sendo que isso pouco importava no enredo desse grande clássico, além do narrador enfatizar o “estranhismo” de brasileiros e argentinos jogando lado-a-lado.

Um TCC sobre como a mídia influência essa realidade foi realizado com entrevista à jornalista dos dois lados da moeda. Veja um techo:



No meio de toda essa bagunça gerada pela mídia, a torcida brasileira vem tentando copiar a “inchada hermana”, porém nunca conseguirá. O “Es cultural” que um ator comenta sobre os “inchas” retrata o modo como nossos vizinho são únicos neste quesito, mesmo com toda a devoção dos ingleses, inventores do futebol.


A “inchada” vai para “El Mundial” incentivada com os dizeres: “Es increible. Tiran um millón de papelitos, cada vez que sale el equipo. Es cultural” e “Allá, no importa si van ganando o perdiendo, los tipo cantan igual”.

E nós com meros comerciais que ostentam a marca e não a nação.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Celeste renascida?


A noite era fria em Montevidéu, mas a torcida fervia. Cantos eram entoados por quase 55 mil pessoas no estádio Centenário. O gol de Centeno aos 39 do segundo veio só para apimentar a emoção. Loco Abreu, quatro minutos antes, em um típico cabeceio de matador, havia fincado nos corações uruguaios a certeza. E eles não pararam de apoiar, celebrar, sem dar bola ao sufoco final costa riquenho, já sabiam que a Celeste Olímpica estava em mais uma Copa.

O Uruguai não esteve em 2006 na Alemanha. Havia recebido o troco da Austrália na dura repescagem. Em 2002 a situação foi inversa. Mas neste 18 de novembro de 2009, não houve derrota. Após vitória fora de casa, o empate frente sua torcida garantiu os bi-campeões do mundo de volta ao centro do futebol mundial.

Histórico e expectativas

É fato que a grande Celeste Olímpica não existe mais. Digo, na tradição e raça ela é eterna, mas no quesito boa fase... Bom, como definitiva quinta força da América do Sul, o Uruguai vem se acostumando a fazer Eliminatórias pouco regulares e, assim, terminam por jogar repescagens da vida. Risco grande para uma seleção de tanta história.

Seu objetivo tende (penso e torço assim) a ser realista nesta Copa: buscar uma classificação à segunda fase e contar com a sorte para não cruzar os argentinos logo nas oitavas, situação mais provável. A fase não é boa, mas os adversário não são bichos de sete cabeças.

Seus craques e jogo chave

A dupla de ataque é respeitável e a grande esperança. Diego Forlán joga na Espanha e já conquistou a chuteira de ouro como maior goleador do futebol europeu. Sebastian "El Loco" Abreu joga no Botafogo e, se não tem a técnica de Forlán, compensa na raça e no faro de gol. Na defesa, o capitão Lugano passa confiança e a liderança que podem fazer os uruguais surpreenderem.

Assim como o jogo do México contra o Uruguai é o mais importante, o inverso também se faz verdade. Após um jogo duro de estreia contra a França, teoricamente (e beeeeem teoricamente!) mais forte no grupo, e uma vitória quase certa contra a África do Sul, bater os mexicanos é uma obrigação se os uruguaios quiserem avançar na competição.

Minha aposta

Para mim, a França será uma decepção, e nossos vizinhos hão de batê-los na estreia, nada de muito impressionante, 1 a 0, gol chorado. Um empate com a África do Sul não se tornaria desastroso e os uruguaios chegariam na última rodada podendo até empatar com o México para se classificarem. Gosto da raça e acho que esse time pode vingar, não me surpreenderia uma liderança de grupo.


Confira os jogos da Celeste Olímpica na primeira fase:

Data e hora

11/06/2010 15:30 Uruguai x França
16/06/2010 15:30 África do Sul x Uruguai
22/06/2010 11:00 México x Uruguai

terça-feira, 6 de abril de 2010

Desta vez vai!


Dia 10 de outubro de 2009. Esta foi a data que a mais tradicional seleção da América do Norte garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2010. O México, com uma certa dose de sofrimento, conquistou o direito de ir ao Mundial ao golear El Salvador por 4x1.

Após um começo irregular nas Eliminatórias, com muitas derrotas, a classificação da seleção mexicana chegou a ficar arriscada. O mau início fez uma vítima: o sueco Sven-Goran Eriksson perdeu o cargo de treinador. Em seu lugar assumiu Javier Aguire, que conseguiu reorganizar a equipe e, com uma série de cinco vitórias consecutivas, garantiu a vaga no Mundial da África.

Histórico e expectativas

O México é, ao lado da Espanha, a eterna promessa das Copas. Desde a década de 80, a equipe mexicana é apontada com a surpresa, candidata a chegar longe e surpreender os favoritos. As melhores colocações dos conterrâneos de Chaves e Chapolin foram exatamente nos Mundiais em que jogaram em casa. Em 1970 e 1986, os mexicanos chegaram às quartas-de-final.

Em 2010, porém, a empolgação é bem menor. A dificuldade nas Eliminatórias abriu os olhos da crítica do país. O tricolor da América do Norte caiu em um grupo perigoso, com os campeões mundiais França e Uruguai, além dos donos da casa sul-africanos. Avançar para as oitavas-de-final já seria um grande feito.

Seus craques e jogo chave

A aposta mexicana para a Copa de 2010 é a experiência. Por isso, o interminável Blanco, com suas características chuteiras brancas, comanda o ataque da equipe. Mais atrás, a segurança de Rafael Marques, zagueiro e volante do Barcelona, é imprescindível para um eventual sucesso dos tricolores.

O jogo mais importante do México é contra o Uruguai, no dia 22 de junho. O encontro das duas equipes das Américas será na última rodada da fase de classificação e deve definir quem passa para as oitavas. Quem ganhar, deve avançar ao lado da França.

Minha aposta

Creio que os mexicanos passam pela anfitriã África do Sul na estreia. Depois, terão o jogo mais difícil da primeira fase, contra os franceses. Um empate não seria mau negócio e levaria a decisão da segunda vaga do grupo para a última rodada, num confronto direto com o Uruguai. Talvez jogando por um empate. Acho que o México perde para os uruguaios, mas mesmo que avance, não deve ir longe, já que tem um cruzamento ingrato nas oitavas: muito provavelmente pegue a Argentina.

Confira os jogos do México na primeira fase:

Data e hora

11/06/2010 11:00 África do Sul x México
17/06/2010 15:30 França x México
22/06/2010 11:00 México x Uruguai

segunda-feira, 22 de março de 2010

Para ficar na história


Numa tarde de 15 de maio de 2004, na fria e suiça Zurique, Joseph Blatter, presidente da Fifa, fez um anúncio que a entidade nunca havia feito. É verdade que sabíamos que a Copa do Mundo de 2010 seria em continente africano, mas só se tornou oficial quando ele levantou um papel. Branco e em formato retangular, nele estava escrito: South Africa.

Por 14 votos a 10, a África do Sul bateu Marrocos e se garantiu como a primeira sede africana do evento mais importante para futebolistas de todo mundo. Foi nesse preciso 15 de maio que os "Bafana Bafana" se classificaram para Copa que seria disputada seis anos depois. Ali, mesmo com um mundial na Alemanha no meio, do qual os sul-africanos ficaram fora, se iniciou a campanha para 2010.

Muita coisa mudou de lá para cá. A mais recente e importante de todas foi a troca de treinadores. Um brasileiro por outro. Saiu o folclórico(!) Joel Santana e veio o pragmático Carlos Alberto Parreira. A África do Sul não quer fazer feio. Apostou na experiência de Parreira e mais, quer ajuda do futebol brasileiro.

Os Bafana Bafana estão em territorio canarinho e, mais importante, penta mundial. Treinam por aqui e vão fazer amistosos com times brasileiros. Já empataram com o Cruzeiro e venceram o Botafogo (de Joel Santana, aah, o futebol e suas ironias). Santos e Palmeiras devem ser os próximos. Será que vai ajudar em algo?

Histórico e expectativas

Sem mais delongas, vamos às opiniões. É claro que a vida com Joel Santana não estava bem. Mesmo com o teórico bom desempenho na Copa das Confederações. A África do Sul não mostrava um potencial competitivo para almejar seu objetivo neste ano: passar a segunda fase. Com Parreira, a coisa parece que mudou, pelo menos a motivação se mostra outra e a confiança também.

A verdade é que o território africano deve pulsar como um para seus cinco representantes e isso contará e muito. Eles já são excelentes corredores e não descansam nunca. Quem sabe os deuses da bola não os abençoam com lances de boa técnica e um pouco de sorte?

Seus craques e jogo chave

Sendo realista e direto: a África do Sul não tem craques. Bons jogadores como Steven Pienaar, Katlego Mashego, Benny McCarthy e Matthew Booth, ídolo da torcida, podem garantir aos filhos de Nelson Mandela (poético isso!) ao menos exibições briosas.

O jogo mais importante de um dos grupos mais parelhos é logo o primeiro. Vencer o México no jogo de abertura da Copa será essencial para uma futura classificação. Dará moral e mais importante, três pontos! Não vejo nenhuma outra seleção do grupo A como infinitamente superior aos africanos e dificilmente alguém vencerá dois jogos. A França é a mais fraca dos últimos, vai, 12 anos, e o Uruguai se consolidou como quinta força da América do Sul. O México teve maus bocados nas Eliminatórias e não vem com a força de mundiais passados. Será que dá?

Minha aposta: os sul-africanos vencem o México e empatam com Uruguai e França. Creio eu que sirva para pegarem um segundo lugar, e se pá, dá até para ser primeiro. Olha que feito! Vocês concordam?

Confira os jogos da primeira fase dos Bafana Bafana:

Data Hora Local
11/06/2010 11h00 Johanesburgo África do Sul x México
16/06/2010 15h30 Pretória África do Sul x Uruguai
22/06/2010 11h00 Bloemfontein França x África do Sul

quinta-feira, 18 de março de 2010

Desta vez vai Van Gaal?




A palavra que define o treinador holandês Louis Van Gaal é "polêmica", pois este senhor de temperamento difícil - pode ser comparado com José Mourinho - sempre gerou muitos desafetos entre os jogadores que treinou ao longo da carreira, do Ajax em 1991, até, atualmente, com o Bayern de Munique.



Ao mesmo tempo, Van Gaal é um treinador talentoso e já faturou a Uefa Champions League em 1995, com um super time do Ajax que revelou ao mundo jogadores como Van Der Saar, Davids, Seedorf, Kluivert, Bergkamp, entre outros. Entretanto, o holandês coleciona brigas com brasileiros, pois não gosta do estilo "tupiniquim". Os principais alvos foram Rivaldo, nos tempos de Barcelona, e Lúcio, no Bayern de Munique. As confusões fizeram os dois jogadores se transferirem para outros clubes.



O brilho de Van Gaal se apagou após a Eurocopa de 2000, disputada na Holanda/Bélgica, onde o treinador da "Laranja Mecânica" caiu precocemente na competição. O ostracismo chegou e o "velho polêmico" acabou no modesto AZ Alkmaar. Somente o título holandês na temporada 2008/09 despertou o interesse de outro gigante europeu: o Bayern de Munique.




O clube da Baviera estava de "saco cheio" de Jurgen Klinsmann e deu uma nova chance a Van Gaal. O seu primeeiro feito foi trazer Robben do Real Madrid para formar uma dupla de pontas ao lado de Ribery. Deu oportunidade a jovem promessa Müller. Mas não se deu bem com o goleador Luca Toni, preferindo Mário Gomes e Olic para o ataque. O Resultado foi à ida de Toni para a Roma.




O começo no Bayern foi muito complicado, com derrotas e incertezas, gerando desconfiança da imprensa e da torcida alemã que pedia sua cabeça. A ameaça de demissão era grande, porém a classificação para a segunda fase da UCL, em cima da Juventus, fora de casa, deu um alívio ao "velho holandês".




A partir de 2010 o Bayern engrenou, alcançando a ponta do Campeonato Alemão e jogando de forma convicente, com Ribery e Robben infernizando as defesas adversárias. Os dois ponteiros foram fundamentais para eliminar a Fiorentina nas Oitavas da Champions.




Mas e agora Van Gaal?




O treinador ainda precisa provar que não perdeu totalmente o seu brilho, ganhando o Campeonato Alemão e visando o penta da UCL. A missão na Champions League não é impossível, pois o sorteio da próxima sexta-feira pode ajudar ou ser ingrato com o Bayern. Se o clube de Van Gaal não pegar os temidos Manchester United ou o Barcelona, pode avançar sem problemas às semifinais. Se o Bayern chega nesta fase, Van Gaal tem tudo para mostrar sua competência e levar a equipe, no mínimo, ao Santiago Bernabéu, palco da final em 22 de Maio.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Passeio inglês



Há algumas temporadas o futebol inglês desbancou os badalados italianos e espanhois e tornou-se o campeonato mais competitivo do mundo. Neste ano, mesmo perdendo a grande estrela de Cristiano Ronaldo, os times da Premier League seguem comandando a Europa. A UEFA Champions League é a grande prova disso.

Na última terça, o Arsenal atropelou os portugueses do Porto, com um emblemático 5x0 no Emirates Stadium. A facilidade com que o time inglês fez o resultado chegou a assustar, mesmo sabendo que a vitória do Porto na primeira partida foi um acaso, com as falhas do goleiro Fabianski.

Ontem, repetindo o Arsenal, foi a vez do Manchester United despachar o tradicional Milan com uma goleada: 4x0. Apesar das adversidades no Old Trafford, esperava-se que o brasileiro Ronaldinho Gaúcho fosse o destaque. Ledo engano. Quem brilhou foi Wayne Rooney (foto). O atacante fez dois e mostrou que chegará com tudo na Copa do Mundo na África.

E os ingleses não param por aí. Na próxima semana, o Chelsea receberá a Inter de Milão tentado reverter a vantagem italiana, já que o primeiro jogo ficou no 2x1 para a equipe nerazzurri. O confronto será difícil, mas é a chance de termos três fortes times ingleses nas quartas-de-final.

Se na Champions League o futebol da terra da rainha comanda, na Liga da Europa (antiga Copa UEFA) a realidade não é diferente. Após fracassar na primeira fase do principal torneio da Europa, o Liverpool é um dos favoritos da Liga da Europa. Além deles, o Fulham também tenta a sorte na competição.


Diferente das outras Copas do Mundo, este ano a força do futebol inglês deve fazer da seleção do país umas das favoritas ao título. Apesar da crise causada pela traição de John Terry com o ex-companheiro Bridge, o elenco do English Team é fortíssimo. Frank Lampard, Steve Gerrard e principalmente Wayne Rooney devem guiar os ingleses rumo às finais.




terça-feira, 9 de março de 2010

Especial Copa do Mundo 2010


Grandes amigos leitores da Banca, esse ano é especial! Afinal, é ano de Copa do Mundo e, para nós aficcionados por futebol, não há motivo maior de existir do que assistir uma Copa de cabo a rabo (ui!)

Logicamente não deixaríamos de dar nossos pitacos queridos e muito bem abalizados com pitadas históricas e chutes certeiros!

Vamos tratar cada seleção de forma individual e essa semana mesmo postaremos nossas impressões e almejos da gloriosa anfitriã África do Sul, que será sede de uma Copa muito especial, a primeira em continente africano.

E que Copa teremos! Nos acompanhem e nos cobrem.. Dia 11 de junho a festa da bola começa!

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Quem nunca saiu na mão com a mulher?"

Em pleno Dia Internacional da Mulher, esta pergunta feita pelo goleiro Bruno, do Flamengo, sacodiu a mídia brasileira, a ponto de estampar diversas capas de jornais e pautar quase todos os programas esportivos de televisão.

A polêmica surgiu quando o arqueiro rubro-negro tentou defender o companheiro Adriano por sua ausência nos treinos do Flamengo. Após brigar com a noiva, o atacante desfalcou o time no último sábado, na vitória sobre o Resende, por 4x0, e não jogará pela Taça Libertadores na próxima quarta-feira, contra o Caracas.

Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. O ditado, também usado por Bruno, é antigo e faz sentido. Até o momento da agressão. Não é normal um jogador de futebol sair na mão com um colega de profissão, um companheiro de time, o que dirá de uma mulher?

Os mais ponderados dirão que foi um erro de expressão. O goleiro jamais quis dizer isso. Outros atacarão Bruno, citando inclusive um caso, ocorrido em 2008, em que o nome do arqueiro esteve envolvido com agressão à prostitutas, em uma festa promovida pelos jogadores do Flamengo na época.

Fato é que o ambiente do atual campeão brasileiro não está nada bom. Sem Petkovic, que está na reserva e nada feliz com a condição, o Flamengo já não demonstrava o mesmo brilho de 2009. Agora, com a crise envolvendo Adriano, resta saber se o time rubro-negro terá força para brigar pelos títulos.

E que a força seja demonstrada apenas dentro de campo. E não para sair na mão com ninguém!

terça-feira, 2 de março de 2010

Pronto para a Copa!


Com um gol e meio de Robinho - no primeiro, fez o cruzamento que Keith Andrews fez contra, e marcou o segundo após bela tabela -, a Seleção Brasileira venceu a Irlanda por 2x0, em Londres, em seu último teste antes da Copa do Mundo.

No primeiro tempo, o time comandado pelo técnico Dunga não convenceu. Chegou a tomar sufoco da Irlanda, mas abriu o placar em um contra-ataque, em que o zagueiro irlandês marcou contra. Mas as chances de gol eram poucas e fizeram dos primeiros 45 minutos monótonos.

Na segunda etapa, o Brasil acordou. Após a entrada de Daniel Alves no meio-campo, o time deslanchou. As jogadas fluíram com mais facilidade, principalmente pelo lado direito. E os brasileiros foram coroados com um belo gol. Em seu último lance antes de ser substituído, Robinho tabelou com Kaká e depois com Grafite, que deixou o santista na cara do gol, para ampliar a vantagem.

Depois disso, a Seleção se preocupou em tocar a bola e gastar o tempo. O resultado estava garantido, assim como a maioria dos jogadores presentes estarão na Copa. Os poucos ainda não confirmados se esforçavam. Michel Bastos foi bem na lateral esquerda, mas não à ponto de convencer. Grafite entrou com todo gás, fez belas jogadas, mas deve ficar fora do Mundial. Assim como Carlos Eduardo.

Após a partida, o técnico Dunga confirmou que a lista com os convocados para a Copa não deve ter surpresas. Grande parte da imprensa cobra a convocação de Ronaldinho Gaúcho para o torneio. Mas o fato é que o treinador minimiza qualquer chance do craque do Milan, dizendo que todos tiveram sua chance e alguns aproveitaram. Outros, não!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma aula de Libertadores!

É a primeira participação do Racing na Libertadores. Mesmo assim, os uruguaios deram uma aula no badalado Corinthians. Não, não foi uma aula de bola, até porque o futebol apresentado pelo time visitante foi bem limitado. Mas foi bom para o Timão ver o que é ser experiente em uma Taça Libertadores.

Ronaldo e Roberto Carlos (foto) cansaram de disputar Champions League, jogaram finais de Copas do Mundo e decidiram partidas ao redor do mundo. Experiência no futebol não falta a eles. Mas experiência de Libertadores falta. E muita!

Claro que eles não sentiram frio na barriga antes da partida. Não temeram o adversário. Mas se irritaram. E como! A cada falta, os uruguaios caiam, faziam a tradicional cera e levavam os corintianos à loucura. Reclamavam demais com o árbitro, qualquer que fosse a marcação. Sobravam provocações ao pé do ouvido.

E os dois chegaram a perder a cabeça. Primeiro Ronaldo, que deu uma rasteira em um zagueiro adversário e levou amarelo. Depois Roberto Carlos, um pouco mais violento, chutou um uruguaio na linha de fundo e poderia (e, ao meu ver, deveria) ter sido expulso.

Mas as coisas se acalmaram com os gols de Elias. Com o placar a favor, os camisas 9 e 6 melhoraram, começaram a mostrar um bom futebol e o Corinthians venceu a estreia por 2x1. Suado, como a Fiel gosta.

O importante, claro, são os três pontos. Mas tão fundamental quanto largar vencendo, é a aula de América do Sul que os corintianos precisavam. Experiência na Europa não serve na Libertadores. E agora Ronaldo e Roberto Carlos já sabem!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Começa o sonho corintiano...

Alguns veem como o título ideal para o ano do centenário. Outros a tratam como obsessão. Fato é que a Libertadores é o maior sonho da torcida, dos dirigentes e dos jogadores do Corinthians.

Após a vitória da Copa do Brasil no ano passado, os corintianos só falam em conquistar a América pela primeira vez. O planejamento, as contratações, o projeto em si, tudo foi voltado para a Libertadores na temporada em que completa 100 anos de existência.

A grande esperança do Timão usa a camisa 9. Ronaldo renovou seu contrato com o clube até o fim de 2011 e também sonha com o título sul-americano, um dos poucos que faltam em seu currículo.

Recuperado de uma lesão muscular, o Fenômeno estará me campo já na estreia do Corinthians. O primeiro compromisso do Timão é hoje, contra o Racing-URU, no Pacaembu. O modesto time uruguaio participa pela primeira vez do torneio e não deve complicar a vida do alvinegro.

Junto com Ronaldo, as contratações de Roberto Carlos, Danilo, Tcheco e Iarley, todos jogadores de vasta experiência, credenciam o Corinthians como um dos favoritos ao título da Libertadores. E quem falou isso foi o craque argentino Juan Sebástian Verón, atual campeão com o Estudiantes.

Começa hoje a saga corintiana no torneio. O momento tão esperado chegou. Só resta saber se a tensão e o nervosismo, evidentes entre torcida e jogadores, vão atrapalhar este elenco galáctico na busca pelo maior sonho dos corintianos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Hora de rever os conceitos


Após a vergonhosa goleada para o São Caetano, o técnico Muricy Ramalho (foto) foi demitido do Palmeiras. O badalado treinador perdeu o emprego pela segunda vez em apenas um ano, fato raro na carreira recente do comandante, que foi campeão brasileiro três anos consecutivos.

O conhecimento e as conquistas de Muricy são inegáveis. O bordão “aqui é trabalho, meu filho” fez sucesso em sua passagem pelo São Paulo e explica bastante a forma do treinador comandar suas equipes. Times quadrados, com forte vocação defensiva e uma queda quase irresistível para os cruzamentos na área adversária.

Teve muito sucesso no Internacional, sendo vice-campeão brasileiro em 2005. No ano seguinte, o Colorado conquistou a Libertadores e o Mundial, praticamente com o mesmo time e sob o comando de Abel Braga. Mudou-se para o São Paulo no início de 2006, onde conquistou três títulos nacionais, mas falhou quando o assunto era Libertadores, obsessão pelos lados do Morumbi.

Deixou o Tricolor amado por boa parte da torcida, admiradora de sua raça no comando do time, e odiado por uma menor parcelada, que criticava o estilo de jogo e a falta de variação nas jogadas. No fim, com sua ida ao rival Palmeiras, perdeu grande número de fãs que ainda restavam no São Paulo.

Talvez tenha chegado a hora de Muricy rever suas preferências. A defesa não é o melhor ataque, mesmo que as vezes dê certo. O cruzamento não é a única solução ofensiva. A soberba do “eu sou bom mesmo” já passou dos limites e diz muito pouco sobre suas qualidades. E isso sem falar da forma estúpida de responder aos jornalistas.

Por isso, Muricy, é um bom tempo para repensar sua tática, suas atitudes e, principalmente, sua postura.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sem Ronaldinho, Dunga faz último teste na Seleção

Na última convocação da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, o técnico Dunga deixou o meia Ronaldinho Gaúcho de fora. Para o amistoso contra a Irlanda, dia 2 de março, em Londres, o treinador chamou a base do time que tem convocado ao longo de sua trajetória.
A surpresa da lista ficou por conta de Gilberto, do Cruzeiro. O jogador, que vem atuando no meio-campo, deve ser testado na lateral-esquerda, única grande dúvida de Dunga nos 11 titulares. As voltas do goleiro Doni, do zagueiro Thiago Silva e o meia Kleberson, que estavam afastados da lista do treinador, também não deixam de surpreender.

A expectativa, no entanto, era para a convocação de Ronaldinho Gaúcho. O meia voltou a jogar bem e vem desequilibrando nas atuações pelo seu time, o Milan, da Itália. Para a sua posição, Dunga chamou novamente Júlio Baptista, fiel escudeiro do treinador nas convocações.

Outra ausência sentida foi do lateral André Santos, do Fenerbahce, da Turquia. Até então, o ex-corintiano era o favorito para atuar na ala esquerda. Mas as seguidas ausências nas convocações já colocam em dúvida a ida do jogador ao Mundial.

O time de Dunga para a Copa está quase pronto. A equipe base do treinador não deve fugir muito de Júlio Cesar; Maicon, Juan, Lúcio e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Mello, Ramires e Kaká; Robinho e Luís Fabiano.

Confira a lista para o amistoso:

Goleiros:
Doni (Roma – ITA)
Júlio César (Inter de Milão – ITA)

Laterais:
Maicon (Inter de Milão – ITA)
Dniel Alves (Barcelona – ESP)
Michel Bastos (Lyon – FRA)
Gilberto (Cruzeiro)

Zagueiros:
Juan (Roma – ITA)
Lúcio (Inter de Milão – ITA)
Thiago Silva (Milan – ITA)
Luisão (Benfica – POR)

Meio-campistas:
Gilberto Silva (Panathinaikos – GRE)
Felipe Mello (Juventus – ITA)
Josué (Wolfsburg – ALE)
Elano (Galatasaray – TUR)
Ramires (Benfica – POR)
Kleberson (Flamengo)
Kaká (Real Madrid – ESP)
Júlio Baptista (Roma – ITA)

Atacantes:
Adriano (Flamengo)
Luís Fabiano (Sevilla – ESP)
Nilmar (Villareal – ESP)
Robinho (Santos)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu sou você amanhã!


O atacante Robinho brilhou em sua reestréia pelo Santos. O gol de letra e a vitória no clássico contra o São Paulo chamaram a atenção de todo o Brasil. Mas o que realmente impressiona é a sintonia entre o Rei das Pedaladas e o jovem Neymar.


O bom futebol apresentado pela nova geração santista já empolgava, com Neymar e Paulo Henrique Ganso conduzindo o Peixe à liderança do Paulistão. A chegada de Robinho dá um brilho a mais à equipe, sensação deste começo de ano.


Mas antes mesmo da vinda do camisa 7, o Santos já mostrava estar no caminho certo. Principalmente pelo talento de Neymar, artilheiro do Campeonato Estadual, com 7 gols em 7 jogos. Além dos gols, o que chama atenção no jovem atacante é a habilidade. Dribles desconcertantes, jogadas inimagináveis, agora mais objetivo, sempre em direção ao gol adversário.


Neymar passou a ser temido pelos defensores. É um dilema na cabeça dos zagueiros. Não pode dar espaço ao jovem, mas se chegar mais forte, tem sérias chances de ser driblado (e humilhado). Se der espaço, ele deita e rola!


Vejo muito do Robinho no Neymar. A habilidade, o biotipo, o atrevimento. Em pouco tempo, o garoto de apenas 18 anos (recém-completos na última sexta-feira) estará brilhando no futebol europeu. Seguirá os passos de Robinho. Esperamos, apenas, que seja com mais sucesso que o Rei das Pedaladas.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ingratidão, direito ou lavagem cerebral?

De maior revelação do São Paulo pós-Kaká para figura não-grata pela torcida tricolor. O jovem Oscar (foto), de 18 anos, mudou a sua história no time paulista ao entrar na Justiça contra o clube e ganhar o seu passe.

O São Paulo foi pego de surpresa. De fato, deve ter cometido algum erro jurídico no caso (o advogado do atleta alega o não pagamento do fundo de garantia e um suposto aumento prometido em contrato, que somariam R$ 6 mil). Desta forma, Oscar está temporariamente livre e pode negociar com qualquer clube. Falou-se em Santos e Corinthians, além de um possível interesse europeu.

Com ou sem razão, o caminho tomado por Oscar no mínimo foi impensado. Primeiro porque o clube do Morumbi deve recuperar os direitos federativos na Justiça, já que garante estar em dia com tudo o que foi prometido. Segundo porque, de grande revelação e futuro camisa 10, o meia passou a um traidor para a torcida são-paulina. Em sites de relacionamento, é possível ver como os tricolores estão surpresos e aborrecidos com o fato.

Talvez esta seja a intenção de Giuliano Bertolucci, empresário ligado a Kia Joorabchian e atualmente gerenciando a carreira do jovem atleta. Com a relação desgastada com a torcida, Oscar não teria ambiente no time e seria vendido com maior facilidade para o exterior. Os dirigentes do Morumbi dizem que o jogador foi mal assessorado, recebendo más influências de pessoas querem negociá-lo e faturar em cima do garoto.

Fato é que a notícia caiu como uma bomba no São Paulo, mostrando que o clube, tido como exemplo, também tem seus vacilos. E acaba sofrendo do mal que tanto causou, atraindo jogadores como Ilsinho e Dagoberto, só para citarmos alguns exemplos.

O caminho escolhido por Oscar, na minha opinião, foi o pior possível. Se havia atraso de pagamento, que falasse com o clube. Jogou fora o status de grande promessa, ou quase um craque, sem ao menos ter feito nada na carreira. Com 18 anos, é um potencial bom jogador, que poderia ser lapidado, chegar a uma Seleção e, aí sim, entrar na Europa com destaque. Como fez Kaká! Como fizeram muitos outros grandes jogadores.

Nas categorias de base do tricolor, Oscar sempre foi tido como o novo Kaká! Mas antes de ser um jogador como o camisa 8 do Real Madrid, é preciso ter caráter e hombridade como o jogador da Seleção que, mesmo xingado pela torcida, saiu de cabeça erguida e dando lucro ao time que o revelou e que tanto investiu em sua formação. Questão de caráter!

A novela só terminará em 2010. Mas a carreira de Oscar no São Paulo está manchada para sempre, seja qual for o veredito da Justiça!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Futebol consegue parar o caos cotidiano

Vivemos no mundo onde o tempo passa com muita agilidade, deixando a humanidade apressada para conseguir cumprir seus horários determinados, acabando por abandonar vontades ou desejos a fim de atingir metas e objetivos colocando em segundo plano a qualidade de vida. Porém, neste planeta globalizado existem pessoas que param seus afazeres ou simplesmente encontram algum espaço para assistir uma partida de futebol entre Juventus da Mooca e Nacional.

Esses cidadãos acham uma brecha no cotidiano diário para acompanhar os “pequenos” nos gramados pelo Brasil á fora em plena terça-feira á tarde, atrasando algum compromisso, trocando sua balada ou sono para prestigiar um entretenimento durante horários que esses eventos geralmente não são realizados em grandes praças.

Os fãs destes jogos não seriam atemporais, talvez alguns sejam, porém conseguem conciliar seus compromissos para ir à Rua Javari ver o Juventus, na Comendador Souza ver o Nacional, ir até Guarulhos e ver o Flamengo local, sem esquecer os 100 torcedores que já prestigiaram o Pão de Açúcar (PAEC) diante do Oeste Paulista, no Estádio do Pacaembu, em uma segunda-feira às 15h, pela Série A3 do Paulistão.

Essas pessoas são apaixonadas pelos clubes ou somente pelo futebol? Por tirarem seu tempo escasso em metrópoles caóticas para torcer ou simplesmente observar jogos de times pequenos que ainda despertam atenção?

Tenho um amigo jornalista chamado Rafael Ribeiro, vulgo Luso, que faz peregrinação nas menores partidas e estádios da capital e região metropolitana de São Paulo, por gostar do clima saudosista deste tipo de evento. Quando viajou à Argentina assistiu “jogos undergrounds” entre Quilmes e Banfield, clássico metropolitano de Buenos Aires, além do Atlético de Rafaela, clube da cidade de Santa Fé e da segunda divisão local, presenciando fanatismo dos adeptos que cantavam se pendurando no alambrado, pelo prazer de conhecer agremiações diferentes das assistidas pela televisão, mesmo sendo torcedor fanático do San Lorenzo de Almagro.

Outro exemplo prático é o Palestra de São Bernardo, clube de origem italiana fundado em 1º de Setembro de 1935, move em suas partidas dezenas de torcedores para o Estádio 1º de Maio, mesmo nunca ter estado na primeira divisão do Campeonato Paulista, alcançando apenas a Série A2, e atualmente disputando a última divisão (conhecida como A4 ou Segundona).

A paixão pelo time levou cerca de 70 adeptos ao estádio, em 2007, para assistir Palestra x Barcelona de Ibiúna, sob forte garoa às 10h da manhã em pleno domingo. A torcida organizada “Loucos do Palestra” estendeu sua faixa no alambrado, jovens que mal chegaram em casa da balada estavam presentes, assim como quem vos escreve; senhores de idade, casais, homens e até mulheres solteiras deixaram suas camas quentes, driblaram o sono e o frio para prestigiar seu clube de coração, mesmo torcendo para outro grande da capital, porque estar ali, naquele momento, sentiam uma sensação de prazer.

O time precisava ganhar e torcer por um tropeço do Guarujá para se classificar à próxima fase. O jogo foi truncado. Os fãs realizavam apoio incondicional durante os 90 minutos, mesmo quase todos estarem molhados pela chuva. Após um contra-ataque o Palestra fez 1 a 0. O placar terminou assim, porém o Guarujá venceu o seu jogo e ficou com a vaga. Não havia sentimento de tristeza ou rancor por eles terem saído de suas casas para ver uma agremiação pequena fracassar na competição. Existia para aquelas pessoas o sentimento do dever cumprido.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Na tarde de domingo..

..muitos torcedores, por volta das 16h55, estarão ansiosos, roendo unhas, gritando hinos, xingando juízes e adversários, concentrados. Imagina a hora que o apito inicial soar em dez estádios em oito estados diferentes! O coração vai querer subir do peito para a boca, para espiar cada lance...

Tem torcida que não vê em seu clube chance maior do que fazer parte do melhor campeonato da Terra. Sejam os fiéis corinthianos, os esmeraldinos goianos, os entristecidos sportistas e, por que não, os calmos vitorianos da Bahia.

Em dois lugares especiais a luta será dupla. No ABC paulista, temos aficcionados andreenses contra os pernambucanos de capibaribe. Quem perder, cai. Se empatar, morrem abraçados. Em um jardim da Barra Funda, os desacreditados palmeirenses pegam os frustados atleticanos, tão rivais de outro Palestra Itália. Quem perder, está fora da Libertadores. O título já lhes parece distante, mas a esperança é a última que apita.

Ainda na ponta, teremos os colorados do sul na não mais tão temida ilha do retiro, sonham com um milagre daqueles bem fáceis de acontecer. São 30 anos de jejum, acumulados aos 17 de flamenguitas e 15 de parmeristas, temos 62 anos sem títulos. Os líderes são paulinos terão vida dura, mas estão há um empate de seu quarto título seguido. Em Campinas, Fenômeno vs Imperador. O clássico das multidões vai definir o que os rubro negros irão conseguir.

Imaginem cada anúncio no estádio. Gol de tal, no lugar tal. E a cabeça vai fazer contas. E haverá comemorações e lamentos. E pessoas reclamando de entregas e agradecendo comprometimentos.

Teremos futebol domingo. Daqueles de fazer sofrer até quem não disputa mais nada, a não ser a honrosa glória de vencer mais uma partida. Quer mais louro que isso? Espero que domingo todos vamos torcer, e torcer muito, seja pelo(s) time(s) que for(em).

Ah, domingo de futebol onde se deve assistir futebol, no estádio!