segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ingratidão, direito ou lavagem cerebral?

De maior revelação do São Paulo pós-Kaká para figura não-grata pela torcida tricolor. O jovem Oscar (foto), de 18 anos, mudou a sua história no time paulista ao entrar na Justiça contra o clube e ganhar o seu passe.

O São Paulo foi pego de surpresa. De fato, deve ter cometido algum erro jurídico no caso (o advogado do atleta alega o não pagamento do fundo de garantia e um suposto aumento prometido em contrato, que somariam R$ 6 mil). Desta forma, Oscar está temporariamente livre e pode negociar com qualquer clube. Falou-se em Santos e Corinthians, além de um possível interesse europeu.

Com ou sem razão, o caminho tomado por Oscar no mínimo foi impensado. Primeiro porque o clube do Morumbi deve recuperar os direitos federativos na Justiça, já que garante estar em dia com tudo o que foi prometido. Segundo porque, de grande revelação e futuro camisa 10, o meia passou a um traidor para a torcida são-paulina. Em sites de relacionamento, é possível ver como os tricolores estão surpresos e aborrecidos com o fato.

Talvez esta seja a intenção de Giuliano Bertolucci, empresário ligado a Kia Joorabchian e atualmente gerenciando a carreira do jovem atleta. Com a relação desgastada com a torcida, Oscar não teria ambiente no time e seria vendido com maior facilidade para o exterior. Os dirigentes do Morumbi dizem que o jogador foi mal assessorado, recebendo más influências de pessoas querem negociá-lo e faturar em cima do garoto.

Fato é que a notícia caiu como uma bomba no São Paulo, mostrando que o clube, tido como exemplo, também tem seus vacilos. E acaba sofrendo do mal que tanto causou, atraindo jogadores como Ilsinho e Dagoberto, só para citarmos alguns exemplos.

O caminho escolhido por Oscar, na minha opinião, foi o pior possível. Se havia atraso de pagamento, que falasse com o clube. Jogou fora o status de grande promessa, ou quase um craque, sem ao menos ter feito nada na carreira. Com 18 anos, é um potencial bom jogador, que poderia ser lapidado, chegar a uma Seleção e, aí sim, entrar na Europa com destaque. Como fez Kaká! Como fizeram muitos outros grandes jogadores.

Nas categorias de base do tricolor, Oscar sempre foi tido como o novo Kaká! Mas antes de ser um jogador como o camisa 8 do Real Madrid, é preciso ter caráter e hombridade como o jogador da Seleção que, mesmo xingado pela torcida, saiu de cabeça erguida e dando lucro ao time que o revelou e que tanto investiu em sua formação. Questão de caráter!

A novela só terminará em 2010. Mas a carreira de Oscar no São Paulo está manchada para sempre, seja qual for o veredito da Justiça!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Futebol consegue parar o caos cotidiano

Vivemos no mundo onde o tempo passa com muita agilidade, deixando a humanidade apressada para conseguir cumprir seus horários determinados, acabando por abandonar vontades ou desejos a fim de atingir metas e objetivos colocando em segundo plano a qualidade de vida. Porém, neste planeta globalizado existem pessoas que param seus afazeres ou simplesmente encontram algum espaço para assistir uma partida de futebol entre Juventus da Mooca e Nacional.

Esses cidadãos acham uma brecha no cotidiano diário para acompanhar os “pequenos” nos gramados pelo Brasil á fora em plena terça-feira á tarde, atrasando algum compromisso, trocando sua balada ou sono para prestigiar um entretenimento durante horários que esses eventos geralmente não são realizados em grandes praças.

Os fãs destes jogos não seriam atemporais, talvez alguns sejam, porém conseguem conciliar seus compromissos para ir à Rua Javari ver o Juventus, na Comendador Souza ver o Nacional, ir até Guarulhos e ver o Flamengo local, sem esquecer os 100 torcedores que já prestigiaram o Pão de Açúcar (PAEC) diante do Oeste Paulista, no Estádio do Pacaembu, em uma segunda-feira às 15h, pela Série A3 do Paulistão.

Essas pessoas são apaixonadas pelos clubes ou somente pelo futebol? Por tirarem seu tempo escasso em metrópoles caóticas para torcer ou simplesmente observar jogos de times pequenos que ainda despertam atenção?

Tenho um amigo jornalista chamado Rafael Ribeiro, vulgo Luso, que faz peregrinação nas menores partidas e estádios da capital e região metropolitana de São Paulo, por gostar do clima saudosista deste tipo de evento. Quando viajou à Argentina assistiu “jogos undergrounds” entre Quilmes e Banfield, clássico metropolitano de Buenos Aires, além do Atlético de Rafaela, clube da cidade de Santa Fé e da segunda divisão local, presenciando fanatismo dos adeptos que cantavam se pendurando no alambrado, pelo prazer de conhecer agremiações diferentes das assistidas pela televisão, mesmo sendo torcedor fanático do San Lorenzo de Almagro.

Outro exemplo prático é o Palestra de São Bernardo, clube de origem italiana fundado em 1º de Setembro de 1935, move em suas partidas dezenas de torcedores para o Estádio 1º de Maio, mesmo nunca ter estado na primeira divisão do Campeonato Paulista, alcançando apenas a Série A2, e atualmente disputando a última divisão (conhecida como A4 ou Segundona).

A paixão pelo time levou cerca de 70 adeptos ao estádio, em 2007, para assistir Palestra x Barcelona de Ibiúna, sob forte garoa às 10h da manhã em pleno domingo. A torcida organizada “Loucos do Palestra” estendeu sua faixa no alambrado, jovens que mal chegaram em casa da balada estavam presentes, assim como quem vos escreve; senhores de idade, casais, homens e até mulheres solteiras deixaram suas camas quentes, driblaram o sono e o frio para prestigiar seu clube de coração, mesmo torcendo para outro grande da capital, porque estar ali, naquele momento, sentiam uma sensação de prazer.

O time precisava ganhar e torcer por um tropeço do Guarujá para se classificar à próxima fase. O jogo foi truncado. Os fãs realizavam apoio incondicional durante os 90 minutos, mesmo quase todos estarem molhados pela chuva. Após um contra-ataque o Palestra fez 1 a 0. O placar terminou assim, porém o Guarujá venceu o seu jogo e ficou com a vaga. Não havia sentimento de tristeza ou rancor por eles terem saído de suas casas para ver uma agremiação pequena fracassar na competição. Existia para aquelas pessoas o sentimento do dever cumprido.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Na tarde de domingo..

..muitos torcedores, por volta das 16h55, estarão ansiosos, roendo unhas, gritando hinos, xingando juízes e adversários, concentrados. Imagina a hora que o apito inicial soar em dez estádios em oito estados diferentes! O coração vai querer subir do peito para a boca, para espiar cada lance...

Tem torcida que não vê em seu clube chance maior do que fazer parte do melhor campeonato da Terra. Sejam os fiéis corinthianos, os esmeraldinos goianos, os entristecidos sportistas e, por que não, os calmos vitorianos da Bahia.

Em dois lugares especiais a luta será dupla. No ABC paulista, temos aficcionados andreenses contra os pernambucanos de capibaribe. Quem perder, cai. Se empatar, morrem abraçados. Em um jardim da Barra Funda, os desacreditados palmeirenses pegam os frustados atleticanos, tão rivais de outro Palestra Itália. Quem perder, está fora da Libertadores. O título já lhes parece distante, mas a esperança é a última que apita.

Ainda na ponta, teremos os colorados do sul na não mais tão temida ilha do retiro, sonham com um milagre daqueles bem fáceis de acontecer. São 30 anos de jejum, acumulados aos 17 de flamenguitas e 15 de parmeristas, temos 62 anos sem títulos. Os líderes são paulinos terão vida dura, mas estão há um empate de seu quarto título seguido. Em Campinas, Fenômeno vs Imperador. O clássico das multidões vai definir o que os rubro negros irão conseguir.

Imaginem cada anúncio no estádio. Gol de tal, no lugar tal. E a cabeça vai fazer contas. E haverá comemorações e lamentos. E pessoas reclamando de entregas e agradecendo comprometimentos.

Teremos futebol domingo. Daqueles de fazer sofrer até quem não disputa mais nada, a não ser a honrosa glória de vencer mais uma partida. Quer mais louro que isso? Espero que domingo todos vamos torcer, e torcer muito, seja pelo(s) time(s) que for(em).

Ah, domingo de futebol onde se deve assistir futebol, no estádio!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

No lugar de Henry, o que você faria?

Eram jogados 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação. A bola foi alçada na área. Passou por todos os jogadores e sairia pela linha de fundo. Sairia. Porque Thierry Henry não deixou. O experiente atacante dominou com mão e, mesmo assim, a bola iria pela linha fundo. Desta forma, o francês tocou outra vez com a mão. Com a bola controlada, Henry cruzou para o zagueiro Gallas marcar.

O jogo entre França e Irlanda, válido pela repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2010 ficará na história. Não por lances brilhantes, gols bonitos ou jogadas antológicas. E sim pela mão descarada de Henry (foto), que colocou a França no próximo Mundial, frustrando o sonho irlandês de voltar ao torneio.

Após a jogada, as críticas desabaram sobre o atacante do Barcelona. Ministros franceses e irlandeses declararam que a partida deveria ser realizada novamente. Questão de justiça. O próprio Henry disse que o ato foi impensado e, se pudesse voltar no tempo, teria evitado o lance ou, ao menos, teria se denunciado ao árbitro.

O árbitro, por sua vez, não tinha como ver o lance. Estava totalmente encoberto. O auxiliar também estava longe. O juiz poderia ter percebido que a reação dos irlandeses não era normal, a ira com que reclamavam denunciava que havia tido algo de errado. Mas ele não poderia voltar atrás.

Então, quem culpar? O árbitro não viu, Henry não pensou antes de agir e a trapaça estava feita. Como punir? Voltar o jogo? Não parece justo. A realidade do jogo seria outra e, muito provavelmente, a França venceria novamente. Então, como proceder?

A polêmica é grande e divide a opinião pública. Está na hora do futebol utilizar imagens para esclarecer lances difíceis? Eu, particularmente, acho que já passou da hora. É muito dinheiro, muitro trabalho, muita paixão, de muita gente, envolvidos em um jogo que pode ser burlado tão simplesmente.

Alguns dos amantes do esporte dizem que isso tiraria o romantismo, a essência do futebol. Em partes, eu concordo. E mais, respeito a opinião. Mas acho que o mundo do futebol se profissionalizou, virou negócio. Está na hora de evoluir em mais este quesito!

Mas que 90% das pessoas fariam a mesma coisa que Henry, fariam. É automático! Não serve de desculpa, mas é um atenuante.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ficou feio, STJD!

Não é de hoje que a decisões do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) costumam gerar polêmica. Requisição de imagens, julgamentos, suspensões e recursos, beneficiando e prejudicando os mais diversos times brasileiros. Mas dessa vez ficou feio.

As expulsões de Borges (foto), Dagoberto e Jean complicaram o São Paulo contra o Grêmio. Depois, contra o Vitória. Mas não foi apenas isso. No julgamento de ontem, o STJD puniu os três jogadores com a mesma pena: três partidas de suspensão. Como já cumpriram uma, voltam à campo apenas na última rodada do Brasileirão.

As punições foram polêmicas. Deles, Borges era quem merecia suspensão, afinal, agrediu com socos o volante Túlio. Para ele, era esperada uma pena maior que três partidas. Dagoberto fez uma falta de jogo, onde recebeu o cartão vermelho direto. No julgamento, esperava-se apenas uma partida de suspensão. No máximo duas, porque o palmeirense Vágner Love recebeu esta sentença em jogada semelhante. Três jogos, no entanto, foi exagero.

O caso de Jean é ainda pior. Foi expulso por uma falta normal, de jogo. Levou o segundo cartão amarelho e, consequentemente, o vermelho. Não merecia suspensão alguma. Quanto mais três jogos. Faltas iguais à dele têm aos montes, todos os jogos.

A coincidência é que, no domingo, o São Paulo enfrenta o Botafogo, que corre risco de rebaixamento. E pior: está na luta pelo título nacional contra o Flamengo, segundo colocado do Brasileirão, dois pontos atrás dos paulistas. Muita coincidência dois cariocas serem beneficiados pelo julgamento. Não é?

E tem mais. O Tricolor perdeu o mando de seu último jogo, contra o Sport. Isso porque um jovem, que sonha ser jogador de futebol, invadiu o gramado no jogo contra o Inter. A punição não é errada, desde que haja critérios.

O Flamengo, por exemplo, teve um caso semelhante, quando um torcedor invadiu o gramado no jogo contra o Santos. O Atlético-MG também passou pelo mesmo problema. E, em nenhum dos dois casos, houve punição. Apenas com o São Paulo. Muito estranho!

Pelo andar da carruagem, é bom o São Paulo jogar MUITA bola nestas últimas três partidas, senão ficará sem o inédito tetra seguido.

Ah, e só para constar. O Flamengo tem um belo time, com Adriano e Petkovic jogando demais. Merece o título, se o conseguir. Mas com um time tão bom, não precisa de ajudas externas para lutar pela taça!

Mas deixa isso pra lá. Não vou escrever muito senão vou pegar 3 posts de suspensão e só volto a escrever em 2010!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Passaporte carimbado

O amistoso entre Brasil e Inglaterra, no último sábado, nada valia. Pelo menos em questão de pontos ou competições. Mas para um jogador, em especial, a partida pode ter sido a mais importante do ano.

O atacante Nilmar (foto), autor do gol da vitória brasileira, parece ter carimbado sua ida à Copa de 2010, na África do Sul. Principal opção ofensiva, o veloz jogador infernizou os defensores ingleses e, além do belo gol de cabeça, sofreu um pênalti, desperdiçado por Luís Fabiano.

Nilmar é considerado o reserva imediato de Robinho. O atacante do Manchester City (ING) está machucado e, do banco, viu o companheiro ganhar moral com o técnico Dunga e deve ter ficado preocupado. Sua posição, antes intocável, já está em dúvida.

A partida contra a Inglaterra era considerada um amistoso de luxo e serviria para o técnico Dunga fazer observações em sua equipe. O zagueiro Thiago Silva foi outro que agradou. Seguro nos desarmes e com a categoria de sempre, ganhou alguns pontos com o treinador.

Michel Bastos, pela lateral-esquerda, fez uma boa apresentação, mas ficou longe de encantar. A posição, maior incógnita entre os titulares, anda tirando o sono de Dunga, que faz testes e não consegue achar o jogador ideal para a camisa 6 canarinho.

Se na lateral a falta de jogadores preocupa, o ataque parece ser uma boa dúvida para a cabeça do treinador, que ainda tem o Imperador Adriano entre os seus prediletos para o Mundial do ano que vem.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O sabor de um título

Quarta-feira o Mineirão foi palco da despedida de Juan Pablo Sorín do futebol. O lateral cabeludo, com jeitão brigador decidiu pendurar as chuteiras em um jogo entre seus dois clubes do coração: o Cruzeiro, equipe atual e onde marcou época em sua primeira passagem, e o Argentinos Juniors, local onde foi criado e deu os primeiros passos no futebol.


Mas não é isso que vim falar. Vim falar sobre o sabor de uma conquista, seja ela qual for. Muitos babacas vivem dizendo que "tal título não vale nada, o que vale é Libertadores, Mundial e bibibi". Pura balela!! Título é título. Título é emoção. Título é sentimento. É aquela hora de extravasar, comemorar.

Após sua primeira saída do Cruzeiro, Sorín escreveu uma carta para os torcedores. Nela, ele deixa clara a alegria de ser campeão, mesmo que esse título seja da... COPA SUL-MINAS. Sim. Isso mesmo.

Vale a pena ler.

"Há quatro meses conquistamos a Copa Sul Minas.

Há quatro meses fui embora do Cruzeiro

O texto abaixo escrevi para mim, porém, senti a necessidade de compartilhá-lo com vocês.

Simplesmente para que saibam a importância que tudo isso tem na minha vida.

Simplesmente para seguirmos juntos, apesar da distancia.

Hoje, estréio em meu novo time.

São muitas as expectativas e as vontades de sempre, mas esperando um dia retornar a minha segunda casa.

15:58 hs – Banderas en tu corazón (Bandeiras no teu coração)

Setenta e cinco mil caras esperando ver o Cruzeiro campeão.

Saímos rodeados de mascotes e crianças, que nos acompanham sempre com um sorriso.

Pegamos forte e corremos para o gramado.

Uma olhada rápida, mãos para o alto e as primeiras emoções.

Não é comum e é até anormal muitas camisas argentinas, celestes e brancas, no Brasil todas sentimentalmente distinguíveis.

Chegam as placas de homenagem.

Primeiro, do presidente.

Depois, da Máfia Azul e logo uma camisa inesquecível com o meia dúzia nas costas, assinada por todos os funcionários do clube.

A melhor homenagem, da cozinheira ao roupeiro, os encarregados da limpeza, até meus colegas, médicos, técnicos...

Vale ouro! Vale mais suor, ainda!

Sorteio a moeda da Fifa.

Deu branco e ganhei.

No segundo tempo, atacaremos junto ao grosso da nossa torcida.

Antes de começar toca o hino brasileiro.

Todos cantam e eu não. Procuro minha companheira e concentro-me em silêncio.

Observo a torcida e na arquibancada há uma bandeira argentina.

Que orgulho! Não posso acreditar. Onde estão meus amigos do bairro para contar-lhes?

Jogam balões para os céus com meu rosto estampado numa bandeira vertical.

É minha despedida, a parte da final. Contenho as lágrimas, soa o apito.

16h20 - Sarando as feridas

Meu Deus! Um choque forte, toco a sobrancelha.

Sangue. Puta que pariu! De novo?

Quarto corte na cabeça em dois anos e meio.

Queria jogar e o juiz reserva "canarinho" disse-me que não!

Quase pede minha substituição e disse-me que há muito sangue.

Peço-lhe por favor. Hoje, não me deixes de fora, irmão!

Ele não entende bem, mas me permite entrar e lá vou eu como um "papai smurf".

Serão seis pontos no intervalo, 0 a 0, com uma bola na trave e um susto forte.

17h40 - Oh meu pai, eu sou Cruzeiro meu pai...

Tira a camisa! Tira a camisa!

Parece uma bola perdida, mas sei que o Ruy vai ganhá-la.

O "cabeção," meu amigo e parceiro de quarto, vai tocá-la por um lado e buscá-la pelo outro (fez uma gaúcha, berra o locutor).

Entra na área e só rola para trás.

Não sei o que faço aí, a não ser confiar nele.

Não sei o que faço senão ir além do sonho da despedida e não há tempo para pensar.

Com três dedos e meio esquisitos de prima, com a sempre canhota bendita e a rede se mexe, é o mundo que explode, vem o delírio, a festa...

Não pode ser real. As cabecinhas que pulam descontroladas, a camisa voando na mão e um grito eterno, inesquecível, uma dança especial.

17h55 - Ah, eu tô maluco!

Bicampeão!

Faltam segundos e não existe sensação comparável como a de ser campeão.

Nos olhamos cúmplices com o Cris e rimos da conquista depois do esforço.

Somos irmãos, somos um punhado azul de raça inquebrantável, enquanto o pessoal na arquibancada baila, grita, goza e por fim estoura com o final.

Escuta-se um estrondo inconfundível.

Um abraço, dois, um milhão, a correria perdida, louca, entre pulos, festejos com cada companheiro, Toninho, Valdir, Tita e Bolinha, todos malucos.

De repente um cara me leva nas costas e damos a volta olímpica.

Não quero que isso termine e penso se pudesse parar o tempo nesse instante, mas não posso.

E aí, vou dando-me conta que também é o final para mim, que estou indo embora do meu time, da minha cidade, da minha gente.

Então, vem a enorme emoção e comemoro como sempre, desenfreado, sem limites, como se fosse a última vez.

Comemoro e cumprimento cada canto do maravilhoso Mineirão.

Despeço-me e quero abraçar a todos.

Quero que dêem a volta conosco, quero dizer-lhes que eles não sabem como necessitamos de todos aqui dentro.

Vejo as faixas e ainda não acredito.

Vejo os rostos de alegria e até hoje nada sai da minha mente.

Depois de tudo, a surpresa com a presença de minha mãe exatamente no Dia das Mães e é impossível não chorar. Finalmente, recebo a Copa tão desejada.

É bonito ser capitão.

É grandioso ser capitão do Cruzeiro e ser campeão.

Levantamos a taça, desfrutamos e saímos a oferecer aos milhares que estavam por todas as partes até o cansaço.

Imagino Minas.

Imagino Belo Horizonte.

Tudo se acaba e não podia ser tão perfeito.

Será que sonhei?

Nem um sonho seria tão incrível.

Estou partindo e pensando se algum outro dia serei tão feliz!"


Juan Pablo Sorín

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Comprometimento zero!

Que o atacante Borges (foto) não ficará no São Paulo em 2010 todo mundo sabe. Agora a dúvida para dirigentes, comissão técnica e torcedores é simples: como terminar o ano de 2009 sem grandes danos à relação clube-jogador?

Ontem, contra o Grêmio, o camisa 17 entrou no segundo tempo, no lugar do apagadíssimo Washington, e parecia estar com vontade. Aliás, vontade até demais. Em poucos minutos, levou cartão amarelo por uma entrada forte e, em seguida, foi expulso por agredir o volante Túlio.

O cartão vermelho desestabilizou o Tricolor paulista que, com um a menos, passou a se defender. O São Paulo ainda teve Dagoebrto e Jean expulsos. Mas ambos, diga-se de passagem, têm crédito com a torcida por estarem jogando bem.

Já o caso de Borges é mais complexo. O jogador anda sendo alvo de muitas especulações. Para uns, já tem um pré-contrato assinado com o rival Corinthians. Para outros, foi procurado pela Traffic, parceira do não menos rival Palmeiras. Outros bancam a ida do atacante para o próprio Grêmio.

O fato é que a cabeça do ex-matador, hoje apenas mais um reclamão, está longe do Morumbi. Independente do destino do atacante, é imprudente colocá-lo em campo. O jogador, que nunca foi unanimidade entre os torcedores, hoje é rejeitado pela imensa maioria. Cada erro será encarado como falta de vontade e, principalmente, de comprometimento.

Nesta reta final de Brasileirão, cada detalhe será importante e, por isso, não consideraria Borges uma opção para o São Paulo. Aliás, nem Borges e nem Hugo, que é outro que deixa o time no final do ano.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Reencontro em grande estilo

O meia Kaká se reencontrou ontem com a torcida do Milan, seu ex-clube. O brasileiro, atualmente no Real Madrid, jogou pela primeira vez no estádio San Siro sem vestir a camisa vermelha e preta.

E a torcida italiana, como já era de se esperar, recebeu Kaká como um verdadeiro ídolo. Cantou a música do antigo camisa 22, levou faixas e aplaudiu o jogador, que foi campeão da Champions League e do Mundial Interclubes com o Milan.

Na partida, válida pela fase de grupos da competição europeia, o time italiano ficou no empate com o Real Madrid, por 1x1. Pelos espanhois, marcou o atacante Benzema, após jogada do próprio Kaká e valha do goleiro Dida. Quem empatou para o Milan foi o também brasileiro Ronaldinho Gaúcho, de pênalti.

Vale lembrar que Kaká havia prometido não comemorar caso marcasse contra seu ex-clube. Pelo jeito, a relação de amor entre o brasileiro e o Milan ainda é grande!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Emoção na reta final

Para quem reclama de falta de emoção nos torneio de pontos corridos, o Brasileirão 2009 chega em sua reta final com extremo equilíbrio e com pelo menos seis times brigando pelo título.

Ao chegar a sua 31ª rodada, com oito pela frente, o campeonato está aberto. O líder Palmeiras perdeu e viu todos os rivais diretos vencerem. A distância entre os cinco primeiros caiu para apenas três pontos.

Com 54 pontos, o Verdão vê a pressão aumentar. O Atlético-MG sofreu, mas venceu o Vitória e está apenas um ponto atrás do paulistas. O Inter, por sua vez, venceu o clássico Gre-Nal, chegou aos 52 pontos e embalou para a reta final.

O São Paulo foi outro que ressurgiu. Em um clássico sem grande qualidade técnica, mas altamente emocionante, o Tricolor venceu o Santos por 4x3 e também tem 52 pontos. Entra na briga novamente e promete uma arrancada rumo ao quarto título seguido.

O Flamengo é outro que vem forte. Venceu o clássico contra o Botafogo e tem apresentado um futebol de favorito ao título, além de contar com o talento de Adriano e Petkovic, em grande fase. O Rubro-Negro tem 51 pontos e ainda sonha com o título.

O Cruzeiro, um pouco mais atrás, acompanha a briga nas primeiras colocações mais de perto. Após um péssimo começo, melhorou e já está apenas seis pontos atrás do líder, completamente na briga por uma vaga na Libertadores. O Goiás, que era um dos candidatos, perdeu força e não deve lutar no pelotão da frente.

Na próxima rodada, mais emoção à vista. Destaque para o confronto entre São Paulo e Inter, no Morumbi, que deve definir um favorito na reta final e tirar a força do perdedor. O líder Palmeiras defende a primeira colocação em casa contra o forte Goiás, enquanto o Galo vai enfrentar o lanterna Fluminense no Rio. Flamengo visitando o Barueri e Cruzeiro recebendo o Santo André fecham a rodada dos líderes.

Parece que o argumento de que pontos corridos não tem emoção já foi por água abaixo. E o campeonato de 2009 coloca um fim neste tabu, deixando claro que a fórmula chegou para ficar e caiu nas graças do futebol brasileiro!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Decisão para 'matar' o bom senso

A "dona do futebol brasileiro" pediu e pode ser atendida. A Rede Globo quer que o Campeonato Brasileiro volte a ser disputado no sistema de 'mata-mata', extinguindo a fórmula dos pontos corridos, que passou a ser utilizada em 2003.

De acordo com a emissora carioca, as decisões elevariam os níveis de audiência com o futebol, que têm caído a cada ano. A Globo fecha os olhos, porém, para uma fórmula que caiu no gosto dos torcedores e coroa, com justiça, o time com melhor campanha.

Deixando de lado o óbvio interesse no 'renascimento' do futebol carioca, praticamente descartado entre as potências após o início dos pontos corridos, o que não falta são argumentos para a manutenção do novo formato, em prática desde 2003.

O campeonato vale da primeira à última rodada. Todos os jogos passam a ser decisões. As equipes, por sua vez, passaram a entender o andamento do torneio e armarem times mais qualificados, elencos mais numerosos e com bons jogadores. Ou seja, fez bem ao futebol brasileiro.

O argumento da emissora também vai por água abaixo no quesito audiência. Até porque, na fase de qualificação, o número de pessoas à frente de suas televisões seria imensamente menor. A audiência cresceria apenas na reta final. Ou seja, a Globo ficaria sem telespectadores de abril até outubro, quando começaria o mata-mata.

Outro fator prejudicial com a mudança seria a arbitragem. Em um campeonato de pontos corridos, os árbitros erram em todas as rodadas. Mas estes lances acabam sendo diluídos nos 114 pontos que são disputados. E outra: os juizes erram a favor e contra, 'dão' e 'tiram' pontos de todos os times. No mata-mata, um erro pode decidir um título. Ou seja, os times ficaríam muito mais vulneráveis a problemas de arbitragem.

Este pedido da Globo, na verdade, tem duas razões, que são encobertas por uma cortina que eles denominam como audiência. Em primeiro lugar, não é negócio para a emissora ver os clubes cariocas como figurantes do campeonato. A única disputa dos times do Rio é contra o rebaixamento, salvo uma ou outra boa campanha do Flamengo, como neste ano.

E o outro motivo é simples: a emissora tenta minimizar a queda de qualidade em sua transmissão de futebol. O que antes era novidade, hoje em dia é básico. A Record faz, a Bandeirantes faz. A transmissão da Globo parou no tempo. E assim, perdeu audiência. Deixou de ser atrativo. Simples assim!

Porque, no final das contas, o fácil é colocar a culpa na fórmula do campeonato...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O tal líder fraco

O matemático Tristão Garcia, um dos maiores palpiteiros sobre o Brasileirão, descreveu o Palmeiras como um líder fraco. E justificou usando a matemática, mostrando que a pontuação não era a de campeão.

Em campo, parece que o time alviverde ouviu os palpites de Tristão. Ontem, jogou mal e perdeu para o Santo André. É a terceira derrota consecutiva do líder, que teve várias chances de distanciar-se na ponta, mas tropeçou e pode terminar a rodada apenas um ponto a frente do segundo colocado.

O futebol apresentado pelo time de Muricy (foto) foi preocupante. Ficou claro que Diego Souza voltou diferente da seleção. Aliás, isso é comum e exemplos como esse não faltam: Hernanes e Richarlyson que o digam. Cleiton Xavier saiu machucado e aí o que se viu foi um marasco na criação de jogadas.

As melhores oportunidades surgiam quando Vágner Love saía da área para armar. Mas foi muito pouco para quem quer ser campeão. O Santo André também pouco fez, mas surpreendeu o Verdão em dois contra-ataques. Foi o bastante para decretar mais um tropeço inesperado.

Problemas na parte tática já são visíveis. Após a saída de Pierre, o meio-campo defensivo não se acertou. Edmílson e Souza, definitivamente, não pode atuar juntos. Aliás, o camisa 3 do Verdão tem técnica e um excelente currículo, mas suas atuações têm passado longe do esperado pelos palmeirenses.

Alguns torcedores já vaiaram. Outros pediram a volta do técnico Jorginho. Os demais continuaram apoiando. Afinal, o Palmeiras segue líder. Mas se não mudar a atitude essa primeira posição pode não durar muito tempo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O enterro de Jason

Jason nunca morre. Certo? Quando trata-se do personagem Jason, famoso nos filmes de terror 'Sexta-Feira 13', pode ser que sim. Quando Jason remete ao São Paulo e sua campanha no Brasileirão de 2009, a afirmação perde toda sua veracidade.

Após a saída do técnico Muricy Ramalho e a chegada de Ricardo Gomes, o São Paulo emplacou uma boa sequência de vitórias, deixando a zona de perigo, chegando ao G-4 e sonhando com o título. Mas quando teve a chance de realmente colocar medo no líder Palmeiras, não o fez.

Primeiro, teve o confronto direto. Teve medo de atacar e preferiu o 0x0. Depois, foi fatalmente atingido pelo modesto Santo André. A hora era de atropelar o time do ABC paulista, mas Jason fraquejou. Fez um gol, achou-se dono da situação e permitiu o empate. Perdeu a chance de passar o líder, mesmo que apenas momentaneamente.

Depois, parecia que Jason reagiria. Com dois a menos fora de casa, conseguiu uma importante virada contra o Náutico. Mas a reação ficou apenas na impressão. Ainda ressentido, o vilão viria a falecer uma semana depois, em sua própria casa, embora seus fãs acreditassem que ele ainda estaria vivo. Um novo empate amargo com o Coritiba. Nova chance desperdiçada de encostar no Palmeiras.

No último sábado, Jason foi oficialmente enterrado. Novamente em seus domínios, perdeu para o Atlético-MG e viu as chances de título irem por água abaixo. E não apenas pela pontuação, já que o Palmeiras consegue ser tão incompetente quanto o São Paulo, mantendo os 5 pontos de diferença. Mas porque o futebol apresentado passa longe, muito longe, de assustar os adversários.

Os fatores são diversos: jogadores descompromissados, falta de um armador com qualidade, inexistência de um centroavante eficiente... até o setor defensivo, antes exaltado, comete falhas bisonhas, dignas dos tempos de Jean e Júlio Santos. O mais lúcido meio-campista, Jean, joga improvisado na ala. O único que corre e produz é Dagoberto, com lampejos de bom futebol. Mas parece se influenciar com a ruindade de Borges, Washington, Hugo e companhia.

O melhor jogador tecnicamente tem apenas 18 anos. E todos têm medo de colocar o meia Oscar em campo, com receio (correta ou incorretamente) de queimá-lo, de ser cedo demais para o jovem assumir a responsabilidade. Enquanto isso, Jorge Wagner arma as jogadas, quase sempre com a malemolência que lhe é característica, de forma lenta e nada efetiva.

Matematicamente, o título é possível. Mas para quem acompanha de perto a saga de Jason, sabe que o final desta vez deverá ser feliz. Feliz para Palmeiras, Internacional, Atlético-MG, Flamengo ou Cruzeiro.

E se não abrir os olhos, nem Libertadores virá para 2010.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Hermanos na Copa. Há o que temer?

Suado, sofrido, difícil... a classificação da Argentina para a Copa de 2010 foi digna de um tango. A letra, escrita por Diego Maradona (foto), técnico dos hermanos, teve um enredo cheio de altos e baixo, mas com um final feliz para os argentinos.

A vitória na última rodada sobre o Uruguai, fora de casa, deu a vaga a Argentina. E mais: fez com que Maradona desabafasse contra os jornalistas do país, críticos de seu trabalho à frente da seleção. A revolta de Don Diego começou com músicas provocativas após o apito final, passou por palavrões e terminou com patadas na entrevista coletiva.

O certo é que Maradona caiu, e muito, no conceito dos argentinos. Continua sendo um 'deus' para seus conterrâneos, mas como treinador passou longe de ser unanimidade. E agora ganhou um tempo extra para preparar o time para o Mundial de 2010.

E terá muito trabalho pela frente. A começar por um padrão tático, inexistente na seleção. Porém, o mais complicado dos problemas é a defesa. Com uma safra de má qualidade de zagueiros, a linha defensiva deixou os hermanos na mão muitas vezes nestas Eliminatórias. Deve ser o setor a ser trabalhado até 2010.

Na frente, falta trazer a genialidade de Messi de Barcelona para Buenos Aires. Com a camisa azul e branca, o jogador passa longe de reeditar as brilhantes apresentações feitas no clube espanhol e que devem coroá-lo como melhor jogador do mundo neste ano.

No restante, a Argentina tem um bom time, com ótimo jogadores. Estrelas como Tévez, Mascherano, Higuaín, Aguero, Verón, Riquelme e que não conseguiram formar um time. E este será o grande desafio de Maradona até a competição na África do Sul, no próximo ano.

Os brasileiros, em sua grande maioria, secaram, torceram contra. Uma mistura de rivalidade, respeito e medo. Isso porque todos sabem que quando chegar a hora, a Argentina pode brilhar na Copa do Mundo.

E quer saber? Eu não duvido...



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A vitória do jogo feio

Cada dia que passa, uma coisa torna-se mais certa no futebol. A equipe que tiver uma defesa mais forte, mais segura, chega mais longe nos campeonatos. "A defesa é o melhor ataque", já diz o velho chavão esportivo.
No clássico de ontem entre São Paulo e Palmeiras, isso ficou evidente. O Palmeiras, líder e com quatro pontos de vantagem sobre o adversário, entrou achando o empate bom. O São Paulo, com medo de se expor e deixar o rival abrir sete pontos na tabela, também estava feliz com a igualdade. Resultado: 0 a 0.
O que tinha tudo pra ser um jogão, uma partida cheia de chances, com Diego Souza em ótima fase de um lado e Washington e Dagoberto voltando a jogar bem de outro, transformou-se em um jogo monótono, com duas equipes mais preocupadas em marcar do que criar. O Palmeiras ainda tentou alguma coisa nos 15 primeiros minutos, mas foi só. O São Paulo deu uma pressãozinha no final, mas nada que assutasse.
A intenção de se defender dos times é tão grande que já deixou de ser apenas uma preocupação e virou tara, fanatismo. No intervalo, Muricy tirou o atacante Ortigoza e colocou Souza, mais um volante, o terceiro do Palmeiras. Ricardo Gomes, que teoricamente precisava mais da vitória do que o adversário, colocou o defensivo Arouca no lugar de Hernanes, que se machucou, e Hugo na vaga de Dagoberto. Vale lembrar que o São Paulo ainda tinha três zagueiros.
Com apenas um atacante de cada lado, as bolas deixaram de chegar e as chances de gol desapareceram. Vitória do jogo feio, do pragmatismo, do chato campeonato de pontos corridos, que faz com que esse tipo de pensamento prevaleça. Uma pena, pois todo mundo queria ver um belo espetáculo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

À européia...

O assunto do momento no mundo futebolístico é o calendário. Sempre vilãs de clubes e jogadores que vão indo mal, as datas do futebol nacional são constantemente questionadas. Os times jogam demais, não há descanso, o futebol europeu leva todo mundo embora na janela, e outras tantas ladainhas.

Volta e meia sempre surge o papo de organizar o Brasileirão de forma que ele comece em um ano e termine no outro. Ou seja, assim como os campeonatos de maior expressão na Europa, começar o certame nacional no segundo semestre e ter temporadas com hífen. 2010-11!

Ouvi e li várias opiniões sobre o assunto nas últimas semanas. Pensei que isso nunca pudesse acontecer, mas com nosso presidente boleiro Lula pressionando, a CBF já acena para uma mudança.

Vamos aos pontos que devem ser analisados. Antes de seguir, já aviso que sou a favor da "adequação", e não porque estamos errados, e sim porque temos que seguir o mercado mais forte, que é o do Velho Continente.

A Europa não é o Brasil, e vice-versa. Parece bobeira citar tal obviedade, mas é preciso ressaltar as diferenças das duas regiões. No Brasil não neva, não tem furacão, nem vulcões e nem segue padrões climáticos. Citar a questão meteorológica como algo que impede a mudança de calendário é pobreza de argumento.

Nessa terra onde canta o sabiá nunca se sabe se vai chover ou ter sol, se fará frio ou calor, independente da estação do ano. Há probabilidades, que tão pouco ajudam alguma coisa. Em São Paulo mesmo, essa semana choveu horrores e depois saiu um puta solão no dia seguinte. Vai saber.

Acredito que o maior problema seria cultural. Hoje o campeonato começa em maio e vai até dezembro. Na mudança, começaria em agosto/setembro e só acabaria em abril/maio. Muita gente estranharia, mas isso seria só no começo. Janeiro teria mais jogos, junho e julho ficaram para competições entre nações.

Os clubes tendem a ganhar com isso, pré-temporada no meio do ano, baixa temporada, sairia mais barato. Participações em copas no exterior, e até organização em território brasileiro de torneios amistosos com clubes europeus ajudariam a divulgar a marca e também a mostrar jogadores para seus potenciais compradores.

A grande rival disso tudo, e por razões ainda obscuras em minha mente, seria a TV, aliás, seria a Globo, única detentora dos direitos televisivos do esporte bretão tupiniquim. Não conheço muito de contratos de publicidade para TV, mas a verdade é que, mudando ou não o calendário, temos futebol o ano inteiro, graças aos Estaduais, que não devem acabar, mas serem menores, ou jogados ao longo do ano, como um mata-mata. A Globo pode sim acatar as mudanças, chega de preguiça, já não basta o fato de pagar tão pouco por transmissões televisivas de futebol?

A questão é enxergar o ano de outra forma. Os clubes, que já não fazem nada direito mesmo, não teriam problema em não fazer nada direito com o campeonato à européia.

A mudança no calendário nacional deve diminuir a mutação que os clubes sofrem no meio do Brasileirão, mas deve favorecer para que obtenham caixa de outras formas, até mesmo com mais vendas de jogadores, que poderão ter mais visibilidade.

Imaginem a Libertadores terminando no mesmo dia da Champions! A promoção dos dois eventos em conjunto! Um mundial de clubes sendo realizado na semana seguinte, com ambos os times no ápice!

Temos mais a ganhar do que a perder!

E vocês o que acham? Devemos mudar nosso calendário e distribuir melhor as competições.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O campeão voltou?

Eliminação no Paulista. Lesão do capitão Rogério Ceni. Eliminação da Libertadores. Saída do técnico Muricy Ramalho. Proximidade da zona de rebaixamento no Brasileirão. Parecia que o São Paulo não sairia do buraco em 2009. Parecia...

A derrota para o então líder Atlético-MG foi a gota d'água para o elenco tricolor. Uma mudança no estilo de jogo, comandada pelo técnico Ricardo Gomes, e, principalmente, uma mudança de comportamento fizeram o São Paulo ressurgir.

Desde então, o Tricolor venceu o Santos, empatou fora de casa com o Inter, mesmo prejudicado pela arbitragem. Depois venceu Barueri, Grêmio e Vitória, pulando da 16ª para a 8ª posição. A sequência deu moral para o time, que já começa a sonhar com título, mesmo sendo algo muito distante.

Ainda é cedo e o São Paulo está 10 pontos atrás do líder Palmeiras. Mas o grito da torcida são-paulina, no Barradão, dizendo que "o campeão voltou", deve ter feito os adversários ligarem o sinal de alerta. Todos se lembram do que aconteceu em 2006, 2007 e 2008...

É difícil? Muito. Todos cravavam (inclusive o blogueiro que vos escreve) que o São Paulo passaria em branco em 2009. Mas eu, pelo menos, já não assino embaixo. O hepta é um sonho distante, mas volta a ganhar vida pelos lados do Tricolor.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

De que vale a liderança?


Ao vencer o Sport na Ilha do Retiro o Palmeiras se tornou o melhor líder de todos os líderes desde a implementação do sistema de pontos corridos (termos de TI haha), em 2003. Isso é, o melhor líder na 16ª rodada.

Lembraram também que o Corinthians de 2005 tinha 34 pontos depois de 16 jogos. Mas a verdade é que os alvinegros tinham só 31, quando o jogo contra o Santos foi disputado novamente por conta da máfia do apito, e era válido pela 16ª rodada, o Corinthians, que havia perdido, venceu, e aí sim chegou aos 34. Oficialmente Palmeiras iguala o rival, mas na prática, a melhor campanha é alviverde.

De qualquer forma, é a típica estatística besta. O time é o melhor líder da 16ª rodada da era dos pontos corridos! E? O mais importante é exaltar como o Palmeiras vem jogando e se tem consistência suficiente para se manter líder até completar a rodada que realmente interessa, a última.

Dez vitórias em 16 jogos é uma excelente marca. 14 gols em 16 jogos, a melhor defesa, também é algo a celebrar. Mas o futebol não é só números..

A verdade é que é preciso segurar os bons jogadores, ou algum torcedor palmeirense acredita que será campeão se Diego Souza, Cleiton Xavier e Pierre saírem na janela? Seu rival é o maior exemplo disso.

Dono do melhor futebol do primeiro semestre, pelo menos do fim dele, o Corinthians tinha tudo para ser penta antes do rival verde. Mas desmontou o time e não terá forças para chegar.

Inter vendeu Nilmar e não mais teve consistência, isso somado aos jogadores que entraram em má fase, casos de D'Alessandro, Taison e de Kléber, que sequer teve boa fase esse ano.

Cruzeiro vendeu Ramires, o pulmão time, mesmo que em suas derradeiras partidas tenha estado mal, e ainda não recuperou os pontos deixados de lado ao priorizar a Libertadores.

O Grêmio não perdeu ninguém, São Paulo também não. Digo, ninguém de suma importância. Os tricolores viveram fases controversas. O gaúcho chegou às quartas depois de ter feito a melhor campanha da primeira fase da Libertadores. O paulista não encontrou boa fase técnica de seus principais jogadores. Hernanes e Rogério Ceni estavam longe do que podem render, e os reforços cariocas não renderam o esperado. Ambas as equipes mostraram melhoras, mas ainda seguem longe da liderança.

Palmeiras e Atlético-MG não perderam ninguém. Tá, o Palmeiras perdeu Keirrison, mas a torcida garante que foi a melhor coisa que aconteceu a equipe. Eu concordo. Com times entrosados e dedicados, são os dois melhores do campeonato. Não acaso líder e vice-líder.

Manter a base é essencial, ter um banco bom é diferencial. Palmeiras e Galo tem bons times titulares mas podem penar com seus reservas, principalmente a equipe mineira.

Eu não acredito que ser o melhor líder de todos os tempos da 16ª rodada seja indício de alguma coisa, mas com 66 pontos faltando e, supondo, que o Palmeiras conquiste apenas 50% dos seus pontos, a equipe alviverde terá feito 67 pontos. Considerando uma campanha irregular. Ou seja, estar na frente é ótimo, mas só pra quem sabe se manter na frente.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Injustiça à mineira

Diego Tardelli, do Atlético-MG, foi convocado para a Seleção Brasileira no amistoso contra a poderosa Estônia, em agosto. O atacante foi a grande surpresa na lista de Dunga, que manteve a base campeã da Copa das Confederações.

Tardelli tem bons números em 2009. Foi artilheiro do Campeonato Mineiro, com 16 gols, e é vice no Brasileirão, com oito. Mas será que isso é o bastante para garantir uma vaga no escrete canarinho?

A convocação do atacante do Galo foge de todas explicações. Se fosse para chamar os destaques nacionais, por que não convocou os palmeirenses Pierre e Diego Souza, os corintianos Chicão e Elias, o gremista Souza, e tantos outros jogadores em boa fase no Brasil?

E mais: se fosse para dar uma chance para um atacante que atua no país, cadê a convocação de Kléber, do Cruzeiro? Foi o grande nome do time mineiro na Libertadores, aliando técnica e garra, com um estilo de jogo bem diferente de Nilmar, Pato e, por que não, Tardelli.

Kléber é vizinho mineiro de Tardelli e seria uma grande opção para jogos truncados, brigados. Contra Uruguais e Argentinas da vida. Enfim, por merecimento, o Gladiador está muito a frente do rival do Galo e merercia a convocação.

Talvez uma iminente transferência para a Europa explique a 'lembrança' de Dunga. Aliás, a vinda de Pedro Oldoni para o Galo reforça essa teoria.

Mas quem sou eu para desconfiar de tal "ajudinha" da Seleção?!?!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Desmanche no Pq. São Jorge

O Corinthians é tido como um dos melhores, quisá, o melhor, time do País. Com dois títulos na temporada, o alvinegro paulista é também favorito ao Brasileirão 2009. Ou pelo menos era.

Mal a janela abriu, a brisa estrangeira já leva 3 titulares. Isso é, se é que Douglas (foto), tido hoje como vendido para Dubai, vá mesmo.

Além do meia, André Santos, novo titular da seleção brasileira, e Cristian já choraram sua saída para o Fenerbahçe de Alex. Vão se aventurar em gramados turcos.

Corre à boca pequena que Dentinho, e isso não foi um trocadilho, está praticamente certo com um grande da Europa. Elias é outro que pode dar adeus antes mesmo de vermos nascer o mês de agosto. A situação do meia é mais simples e complicada, simples porque ele pertence a um grupo de investimentos, que pode vendê-lo a hora que quiser, e complicada pro Corinthians, que não levará um tostão furado, tá, alguma coisa leva.

Como fica a situação do time mais arrumado do Brasil? Mano terá de se virar e torcer para que reforços venham logo, mas é nítido que o Timão deve perder, e muito de seu poderio.

E vocês? Ainda acham que dá pra ser campeão brasileiro?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Coincidências na final da Libertadores?

Cruzeiro e Estudiantes (ARG) começam hoje a disputa pelo título da Libertadores, torneio mais importante do continente. E, para quem é ligado em coincidências ou superstições, o Cruzeiro deve tomar cuidado.

Pelo segundo ano seguido, os finalistas da competição saem do mesmo grupo da fase eliminatória. No ano passado, Fluminense e LDU (EQU) decidiram o torneio. O Flu tinha melhor campanha, assim como o time mineiro em 2009, e perdeu o título. Neste ano, o Cruzeiro fez 3x0 em Minas, mas foi goleado por 4x0 na Argentina.

A outra coincidência coloca o São Paulo na história. Este é o quarto ano seguido que o time paulista é eliminado por brasileiros. Tirando a primeira vez, em 2006, em que perdeu a final para o Inter, as outras duas tiveram uma peculiaridade.

Tanto em 2007, quando foi eliminado pelo Grêmio nas oitavas-de-final, quanto em 2008, quando perdeu para o Fluminense nas quartas, o São Paulo viu seu algoz ser vice-campeão. Na época, os gaúchos levaram um baile do Boca Juniors, enquanto o Flu frustrou um Maracanã lotado, sendo derrotado nos pênaltis pela LDU.

Ah, e os dois times brasileiros fizeram a partida decisiva em casa. Assim como o Cruzeiro fará em 2009. Pura coincidência ou um sinal de que o Cruzeiro deve se preocupar?




terça-feira, 7 de julho de 2009

Vale a espera?

A nova novela do futebol brasileiro envolve Muricy Ramalho e Palmeiras, que é um clube que adora novelas, vide Kléber, Keirrison, Luxa e tantas outras.

Quem visita este blog não precisa, mas resumo a história. Muricy não ganhou Libertadores pelo São Paulo e foi demitido, mesmo sendo tricampeão brasileiro. O Palmeiras não passou de um Paulistão com o Luxa e já não aguentava seus chiliques e tramóias, logo, mais um demitido na praça.

Perguntas pipocaram, a la Keirrison, hehe. Para onde vai o Muricy? Quem assume o Palmeiras? Quem vai bancar o alto salário de Luxa? Uvas acompanham?

Deu que era lógico e óbvio: Palmeiras vai atrás de Muricy. Se pá tinha ido antes do Luxa sair. A história está meio de gato e rato, o clube alviverde quer assinar com o ex-são paulino, e ele não responde. Pelo menos não oficialmente.

Aí ficam aumentando prazos de resposta. "Esperamos até quarta", depois até sexta, depois até segunda. E hoje foi prorrogado até quarta.

Quem vê de fora, como eu, se pergunta: é estrelismo de Muricy ou amadorismo do Palmeiras? Ele vale a espera? E o time, como fica?

Os palmeirenses mais fanáticos diriam que Muricy deveria ter aceitado o convite no momento em que foi feito. Eu concordo e discordo. O cara estava trabalhando há 3 anos e meio no São Paulo, merece um descansinho de futebol, mas não acho que ele ainda está em um patamar que lhe permite refutar convites de clubes grandes como o Palmeiras.

Vão lembrar o caso do Grêmio com o Autuori. Mas há um detalhe na história. Autuori já estava acertado com o time gaúcho, só esperava o fim do contrato no Catar para se apresentar. Muricy está de boas no Guarujá.

Notícias em blogues dão como certa a assinatura de Muricy com o Palmeiras. Vindas de fontes de dentro do próprio clube paulista. Confirmam até o salário acertado do treinador, R$ 430 mil mensais.

A torcida palmeirense está impaciente, mesmo com o time invicto há 9 jogos. Eu acho que ele já acertou também, só não entendo esse doce para oficializar a história.

E vocês, ó estimados leitores da Banca, acham que vale à pena esperar por Muricy?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Duplas de sucesso: o segredo do campeão Corinthians!

O Corinthians foi campeão da Copa do Brasil vencendo e convencendo. A campanha foi digna de título e de aplausos. Sob o comando de Mano Menezes (foto), o Timão apresentou um futebol eficiente, de marcação forte, com toques rápidos e envolventes.

Um bom goleiro. Uma defesa forte. Um meio-de-campo marcador e com qualidade. Um ataque veloz. E um fenômeno. A receita parece simples, mas vai além. O segredo corintiano está em pequenas duplas. Duplas que fizeram sucesso.

A começar por Chicão e William. Bons zagueiros que se completam. Chicão marca forte, mas também sabe jogar. É exímio batedor de faltas e tem boa saída de bola. William, o capitão, é o xerife da zaga. Orienta e chega firme, comandando a defesa.

Nas laterais, Alessandro e André Santos se completam. Enquanto o direito defende com eficiência, algumas vezes fazendo o papel de terceiro zagueiro, o lado esquerdo é uma das armas ofensivas. As descidas do camisa 27 são mortais e costumam resultar em gols do Timão.

No meio, Cristian e Elias dão conta da marcação e do início das ações ofensivas. Cristian, como primeiro volante, as vezes exagera nas entradas e na violência, mas é inegável o respeito que impõe no setor, além de ter bom toque de bola. Já Elias é o motor do meio-campo alvinegro. Auxilia na marcação, mas chega muito bem no ataque, com qualidade no passe, velocidade e habilidade.

Dentinho e Jorge Henrique são atacantes diferentes. Jogam abertos, dão opção de jogo aos meias e chegam bem na frente. Mas o diferencial está na marcação. Ambos, especialmente, Jorge Henrique, dão combate e marcam até o fim da jogada. Acompanham os laterais e pressionam a saída de jogo adversária. Desta forma, a bola já chega 'quadrada' no meio e facilita o trabalho do sistema defensivo.

Felipe e Ronaldo não formam uma dupla, mas realizam muito bem seus trabalhos nas extremidades do campo. Lá atrás, Felipe tem fechado a meta do Corinthians e tomado pouquíssimos gols, sendo importante tanto no Paulistão quanto na Copa do Brasil. Lá na frente, o Fenômeno dispensa comentários. Faz gols decisivos. E quando não faz, prende a atenção de no mínimo dois defensores adversários, abrindo espaço para os companheiros.

No comando, o competentíssimo Mano Menezes. O técnico pegou um Corinthians em pedaços, recém-rebaixado e montou, pouco a pouco, um time forte, que ataca e defende. Um time que encaixou! E, se não for desmanchado, deve continuar fazendo a alegria da Fiel.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Keirrison troca o Palmeiras pelo Barcelona

Após 35 jogos e 24 gols, termina a curta passagem do atacante Keirrison (foto) pelo Palmeiras. O jogador está acertando sua transferência para o todo poderoso Barcelona (ESP).

O empresário do jogador e a cúpula da Traffic, empresa detentora dos direitos do K9, estão na Espanha definindo os últimos detalhes da negociação, que deve girar em torno de 16 milhões de euros.

Keirrison teve uma relação de amor e ódio com os palmeirenses. No começo, foi adorado pelos gols marcados. Depois foi acusado de evitar divididas e 'se esconder' em jogos decisivos e clássicos. Chegou, inclusive, a ser chamado de 'Pipokeirrison'.

Mas o talento do jovem atacante jamais foi colocado em dúvida. Finalizações certeiras, rapidez de raciocínio e muita velocidade marcam o futebol de Keirrison, que é mais um a deixar o futebol brasileiro muito cedo.

No entanto, não deve nem jogar no Barça. A exemplo do zagueiro Henrique, deve ser emprestado para outro clube europeu para adquirir experiência. O Valencia (ESP) é um dos candidatos a receber o atacante, em negociação envolvendo o espanhol David Villa.

E o Palmeiras terá que se virar para se reforçar o quanto antes. Ou vai se contentar com um ataque formado por Obina e Ortigoza?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quem é maior? Corinthians ou Ronaldo?

A contratação mais impactante do futebol brasileiro nos últimos tempos. A chegada de Ronaldo (foto) ao Corinthians foi cheia de desconfiança, que virou empolgação e hoje trata-se de uma relação importantíssima para ambas as partes.

De um lado, o Corinthians voltou em grande estilo à elite do futebol nacional. Campeão paulista invicto e grande chance de título da Copa do Brasil, sempre com gols decisivos do Fenômeno.

Do outro lado, Ronaldo renasceu para o futebol. Após outra séria lesão, voltou a jogar. E a jogar bem. Foi fundamental na conquista corintiana e chegou a ser cogitado na Seleção Brasileira.

Com o Fenômeno em campo, a Fiel tem outra razão para lotar os estádios. Aliás, todas as torcidas vão aos jogos para vê-lo. Inclusive os adversários. O status que R9 conquistou internacionalmente está acima do que os torcedores brasileiros estão acostumados.

Mas seria Ronaldo maior que o próprio Corinthians? A pergunta é complexa. 99 anos de história, 4 títulos brasileiros, 26 títulos estaduais e tantas outras glórias. Fora do Brasil, apenas o título mundial de 2000. Título, diga-se de passagem, muito contestado e questionado, pelo seu formato (que não foi repetido nos anos seguintes) e pela forma como o Timão entrou (convidado).

E, mesmo assim, Ronaldo é mais conhecido fora do Brasil. São 32 anos de idade, profissional desde os 17. Campeão do mundo pela Seleção em duas vezes. É o maior artilheiro das Copas do Mundo, com 15 gols. Foi eleito melhor jogador do mundo em três oportunidades. Por isso, é o Fenômeno.

O Corinthians é gigante, é imenso. Ronaldo é famoso, é internacionalmente conhecido. Mais que o próprio Timão, por sinal.

A dúvida sempre persistirá: quem é maior? Corinthians ou Ronaldo? A certeza é que o casamento entre eles caiu bem. Para as duas partes!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ricardo Gomes e a Era pós-Muricy

Sexta-feira, dia 19, o São Paulo anuncia a demissão do técnico Muricy Ramalho. Sábado, dia 20, a diretoria não perde tempo e confirma Ricardo Gomes como novo comandante tricolor.

Em dois dias, a cabeça do torcedor são-paulino, que já estava quente com a eliminação da Libertadores, ferveu ainda mais. Muitos criticaram a saída do mal-humorado treinador. Alguns viam a mudança como necessária. Outros, em menor número, comemoraram a saída de Muricy.

O certo é que ninguém esperava por Ricardo Gomes como seu sucessor. O ex-zagueiro tem um ótimo curriculo como jogador, mas como treinador ainda não mostrou capacidade para estar em um clube como o São Paulo.

No Brasil, teve passagens, sempre apagadas, por Fluminense, Flamengo, Juventude, Sport, Coritiba e Vitória. Na França, dirigiu Paris Saint-Germain, Bordeaux e o Monaco, clube com o qual terminou na 11ª posição na última temporada. Além disso, consta na trajetória de Ricardo o vexame no Pré-Olímpico de 2003, quando não conseguiu levar Diego, Robinho e cia para as Olimpíadas.

Chega para apagar o incêndio no Morumbi e tentar acabar com a crise instalada após mais uma eliminação na Libertadores, obsessão tricolor. A quarta seguida para times brasileiros.

Muricy, com toda sua competência e conhecimento do grupo, não conseguiu fazer esse elenco do São Paulo jogar bem. Elenco que sofre, claramente, com problemas de relacionamento.

Será que Ricardo Gomes conseguirá? O tempo dirá. Mas que ele esteja avisado: nada além do título nacional o salvará das críticas. E nem isso fará a torcida tricolor feliz. Afinal, o são-paulino só se interessa pela Libertadores.